Renato Freitas (PT) é candidato a deputado estadual pelo Paraná. Ele luta também contra o encarceramento em massa e pela dignidade das pessoas em situação de rua

Texto / Thalyta Martins
Imagem / Facebook Renato Freitas

Na noite do último domingo (09), o advogado criminalista e candidato a deputado estadual pelo PT Paraná, Renato Almeida Freitas, foi agredido pela Guarda Municipal enquanto fazia panfletagem na Praça do Gaúcho, no centro de Curitiba, Paraná.

Depois de não sair do espaço público alegando exercer direito de campanha, foi chamado de idiota pela Guarda, que o atacou duas vezes com balas de borracha à queima roupa (2 metros de distância) e o levou preso no porta-malas da viatura para o Hospital Universitário Cajuru, onde o candidato afirma ter sido vítima de ofensas, além de ter sido proibido de receber visitas. Do hospital, ele foi encaminhado para o 1° Distrito no Centro de Curitiba.

Um tiro atingiu a mão e o outro as costas de Renato. exercendo seu direito de campanha. Em rede social, ele informou que lesionou um tendão da mão esquerda, por enquanto está sem os movimentos de alguns dedos e que quebrou um dedo da mão direita.

“Escrevo também sentado 'de lado' porque estou seriamente machucado nas costas, pois a bala nas minhas costas atingiu também a região do cóccix, o que não me deixa sentar normalmente. Não posso deitar de barriga para baixo porque fui atingido também na barriga. Estou tomando remédio forte para dor, não estou podendo trabalhar, e só tenho vontade de dormir por conta dos remédios.”, completou.

Confira o vídeo em que o candidato fala da ação:

 

Ele reivindica as imagens das câmeras de segurança pública que cobrem a Praça do Gaúcho para provar sua versão dos fatos.

Precedentes

Renato Freitas acredita que a ação é uma represália por ter aberto processo contra dois guardas, em 2016, quando foi preso por desacato. Na época, ele era candidato a vereador pelo PSOL. Em sua versão, afirmou que estava ouvindo rap em uma rua no centro de Curitiba quando foi abordado, algemado e agredido por dois guardas municipais: Jean Pereira Barbosa e Nilson Junior Pedroso. Além disso, foi despido e colocado sozinho em uma cela, onde ficou por cerca de três horas.

“Eu só disse que se revistassem meu carro eu queria estar presente para reconhecer algo que eventualmente fosse encontrado, se fosse encontrado”, relatou. “Quando mostrei minha carteira da OAB, disseram que era falsa. ‘Olha pra esse neguinho, olha pra essa foto. Com certeza é falsa’”.

Um grupo de pelo menos sete advogados foi até a delegacia para fazer a defesa de Renato. Diante do caso, identificaram os crimes de injúria racial, agressão física e abuso de autoridade por parte dos guardas envolvidos.

Na última quinta-feira (6), Renato prestou depoimento na Ouvidoria da Guarda Municipal sobre o caso. Em entrevista afirma que foi aberta sindicância contra os guardas e eles podem ser punidos.

O outro lado

A Prefeitura Municipal de Curitiba disse em nota que às 19h de domingo, a Guarda Municipal foi chamada por moradores do entorno da Praça do Gaúcho que reclamavam de pessoas fazendo racha de veículos, consumindo droga e promovendo perturbação do sossego.

De acordo com posicionamento oficial, a Guarda Municipal atendeu ao chamado e precisou usar arma não letal (com bala de borracha) para conter um grupo de aproximadamente 200 pessoas e para restabelecer a ordem no local.

“Renato Almeida Freitas Junior, que é candidato a deputado estadual, estava no grupo, avançou contra os seis guardas municipais e acabou ferido”, argumentaram, de acordo com matéria do Brasil de Fato.

Propostas políticas

Em rede social, o candidato a deputado estadual fala da educação como forma de poder, de transformação e resistência para o jovem negro de periferia. Defende a ideia de um de Espaço Educativo, “que seria a criação no bairro da escola de locais onde os alunos possam fazer atividades extracurriculares desenvolvendo outras habilidades nos esportes e nas artes.”

Também expõe o descaso do poder público com pessoas em situação de rua, inclusive as que passaram pela experiência do cárcere, classificando as formas sistemáticas de poder como política eugenista, de genocídio contra a população negra.

“A população em situação de rua é aquela que mais precisa de acolhimento e ao mesmo tempo a que menos encontra apoio. Por um lado, é estigmatizada e julgada pela sociedade. Por outro, tem acesso restrito a poucos dias em abrigos, estando logo novamente nas ruas, sendo que as unidades de acolhimento com moradia possuem pouquíssimas vagas.”, escreve.

Mas o tema central da campanha política de Renato Freitas é a moradia como obrigação do estado, direito fundamental para qualquer pessoa.

“Nossa candidatura tem como pauta central a questão da moradia adequada para todas as pessoas, pois não se pode ter uma vida digna quando não se tem a segurança de uma casa própria para viver em paz. Temos urgência na criação de políticas públicas de incentivo à moradia.”, diz. “Em Curitiba, por exemplo, há mais teto sem gente do que gente sem teto”, completa.

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