A tecnologia prova que inovação não precisa custar caro. Especialistas falam sobre experiências e dão dicas para alavancar negócios usando essa ferramenta

Texto / Thalyta Martins
Imagem / Nappy

A tecnologia historicamente é usada em diversas áreas para resolver problemas, alcançar objetivos e públicos. Nos empreendimentos, nos negócios não seria diferente. Ter contato mais fácil com os clientes é uma via de mão dupla: traz bons resultados para o empreendedor e para quem compra. A facilidade está a favor de quem integra as novidades no seu dia a dia.

A tecnologia pode ser usada também para baratear custos de projetos. Às vezes uma pessoa quer empreender, mas não tem lugar fixo ou não tem tanto dinheiro para fazer divulgações usando os métodos mais tradicionais, como panfletos e carros de som. Plataformas online já permitem que propagandas para públicos específicos sejam realizadas. Não precisa custar mais para ser melhor.

Maitê Lourenço, fundadora e CEO da BlackRocks Startups, afirma que a maioria das empresas hoje necessitam de site e/ou plataforma para operarem.

“A internet se tornou ferramenta fundamental para que o negócio seja encontrado e valorizado pelos clientes.”, disse.

Democratizar o acesso ou driblá-lo

Dados de janeiro de 2018 divulgados pelo IBGE apontam que o acesso à internet no Brasil chegou à 57,8% dos domicílios em 2017. O número expõe o longo caminho a ser percorrido para democratizar esse tipo de serviço. Uma pesquisa da ICT Facts and Figures de 2016, feita por uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU), ITU, mostra que, em média, nos países desenvolvidos, o acesso à internet nos domicílios chega a 83,8%.

Algumas empresas vem driblando essa dificuldade no acesso. Como atingir essas pessoas usando tecnologia, mas sem a internet? Para dar um exemplo, um aplicativo desenvolvido pela empresa MGov Brasil atua nesse sentido. A ideia era fazer uma ponte entre escola e pais, mas sem utilizar a internet.

Eles desenvolveram um aplicativo que funciona por meio de SMS. Trata-se do EduqMais, que informa os pais dos alunos sobre prazos, eventos e atividades escolares ou sobre frequência e desempenho dos alunos. Informações sobre a fase de desenvolvimento do filho e sugestões de atividades para desenvolvimento da criança ou adolescente de acordo com faixa etária também fazem parte do conteúdo.

Desafios humanos para desenvolver inteligência artificial

Dentro da ética na área tecnologia, existe a discussão de qual seria o limite da inovação e até que ponto a substituição de humanos por máquinas seria benéfica. Mas não há tecnologia sem o processo humano de desenvolvimento. É importante alinhar essas facilidades, sim, mas conseguir manter o mínimo de humanidade nas relações de negócio.

Léo Akin Olakunde, criador do aplicativo Oro Orum, ferramenta que recebe denúncias de violência contra praticantes de religiões afro, apoia. Segundo ele, um negócio tem que aliar a tecnologia à praticidade.

“A tecnologia por si não resolve nada, mas sim idéias que se transformam em inteligência artificial, que traz comodidade e rapidez nas mais variadas atividades do dia a dia. E isso se tornará mais amplo a cada dia.”, afirmou.

Ainda segundo ele, o ritmo de inovação é rápido, vide os smartphones, que é a inteligência artificial de bolso, aparelhos que há 15, 20 anos eram quase impossível de imaginar.

De acordo com Maitê Lourenço, existem diversas iniciativas lideradas pela população negra que usam a tecnologia para escalar (startups) e, consequentemente, atingir mais pessoas por meio da tecnologia.

“Temos startups de inteligência artificial para treinamento de alta complexidade de colaboradores. Para citar um exemplo, na Juntos Campus, temos o chatbots com voz em linguagem natural da InYtcer, entre outras tantas que estão conquistando cada vez mais clientes.”, disse.

O caminho das pedras da inovação

Leo ressalta que os pequenos e médios negócios e os negócios dos afro-empreendedores têm uma longa estrada pra ser construída.

“Existem muitos estigmas, inclusive o racismo de cada dia que não deixa nossa população avançar nos mercados, que tem a lógica de massificação e consumo de produtos padronizados. Por isso o sucesso é uma combinação, desleal, acredito, de investimento em marketing e domínio de mercado!”

Maitê Lourenço fala que há um mercado que promove que o negócio seja repetível e escalável, as startups, e é necessário conhecer, caso seja um objetivo chegar a mais pessoas.

“Para criar uma startup eu necessito por conta da escalabilidade, de tecnologia não só de internet, mas sim de inteligência artificial, banco de dados, Blockchain, IoT (internet das coisas) e muitas outras tecnologias vigentes e/ou as que estão por vir. Desta forma se faz necessário conhecer estes meios para alcançar mais e mais clientes.”

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Contato

E-mail
contato(@)almapreta.com

Mais Lidos