Conhecido pela produção de vídeos de funk, Kondzilla escreveu e dirigiu nova série da Netflix, lançada no começo de agosto

Texto / Lucas Veloso | Edição / Pedro Borges | Imagem / Christian Gaul - Netflix 

Rita, Doni e Nando são amigos. Os três cresceram juntos em uma favela de São Paulo. Adolescentes, começam a enfrentar os desafios de serem pobres e moradores da periferia. Esse é o ponto de partida de Sintonia, série da Netflix, lançada no começo de agosto.

Bruna Mascarenhas é a Rita, Jottapê Carvalho é o Doni e Christian Malheiros interpreta o Nando. No decorrer da trama, Rita busca uma igreja evangélica, Doni encara o funk como possibilidade de carreira e Nando é cooptado pelo crime.

Renata Prado, fundadora da Frente Nacional de Mulheres do Funk, nasceu e cresceu na periferia paulista. Para ela, ‘Sintonia’ trata de questões importantes na vida de quem vive longe do centro da cidade.“Eu achei a série muito fiel à realidade, pois é isso que a gente vive no cotidiano”, define.

A funkeira acrescenta que houve quem criticasse a história, apontando a pauta racial, já que Nando, o único protagonista negro, é quem vai para o tráfico. Para os críticos, Kondzilla estereotipou a figura do menino negro, mas Renata defende que a intenção foi mostrar os conflitos existentes na juventude.

“Apesar das problemáticas levantadas, é isso que a gente vive na periferias. Elas existem, são reais. O diretor foi muito fiel a realidade, que infelizmente é essa. Se a proposta era ser fiel ao que acontece, fez certo”, ponderou.

Segundo Renata, as pessoas que vivem nas bordas da cidade podem se identificar nos episódios, como aconteceu com ela, enquanto assistia. “Eu, enquanto mulher preta da periferia, que já passou pela adolescência dentro desses três mundos, a igreja evangélica, os amigos que seguiram caminhos ilegais e o funk, me vi em vários momentos”, relembra Renata.

O Kondzilla

Com seis episódios, ‘Sintonia’ é dirigida por Konrad Dantas, mais conhecido como Kondzilla. O produtor ficou conhecido no país pela criação de videoclipes para artistas de funk.

Hoje, ele soma mais de 25 bilhões de visualizações nos vídeos e 50 milhões de inscritos no em seu canal no YouTube. O canal Kondzilla é o maior do Brasil, e ocupa a sexta posição entre os 10 maiores do mundo. MC Fioti, com a música “Bum Bum Tam Tam” foi o primeiro vídeo do país a alcançar a marca de 1 bilhão de visualizações.

Em junho deste ano, o produtor brasileiro foi apontado como um dos 100 Afrodescentes Mais Influentes (MIPAD) na edição 2019. Com o apoio da ONU, a lista reconhece contribuições de afrodescendentes em todo o mundo. Em outros anos, brasileiros como o cantor Emicida e o ator Lázaro Ramos também foram indicados. Internacionalmente, Beyoncé, Rihanna e Tiger Woods e Beyoncé já foram incluídos.

bannerhorizontal

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Contato

E-mail
jornalismoalmapreta(@)gmail.com

Mais Lidos