Para cantor, a matriz brasileira é negra e a música popular deve refletir isso

Texto e imagem / Divulgação

Com 20 anos de carreira, o músico e compositor Zé Eduardo construiu sua carreira compasso do samba e do soul, desenhando o que chama de MPB, Música Preta Brasileira.

“A gente vem de uma descendência negra, miscigenada. Era para ser tudo índio, mas chegam os europeus e invadem, trazem os negros de uma forma absurda e violenta, mas essa mistura trouxe muita pluralidade, porque o canto negro é a base de tudo na música brasileira, as lamentações, as canções, o Brasil é negro, cara”, comenta.

Suas referências vão de James Brown e Earth, Wind & Fire a Roberto Carlos e Tim Maia.

“Esse meu encontro com a música negra vem desde pequeno, quando ouvi James Brown pela primeira vez. Eu não entendia uma palavra do que ele dizia, mas aquilo me trouxe uma coisa incrível da representação”, relembra.

Já adulto, Zé Eduardo passou a estudar o canto negro, uma técnica que nasceu junto ao soul americano, com o objetivo de emocionar profundamente os ouvintes.

“Depois daquele single do Tim Maia, ‘Sossego’, eu fiquei enlouquecido. Lembro que comprei na banca de jornal aquele disquinho, eu ouvi tanto aquilo que eu até furei!”, conta.

A referência ao crooner brasileiro fica evidente em “Capim Santo”, de seu novo álbum, “Zé”.

Carreira na noite paulistana

Em suas duas décadas de carreira, o cantor, que cresceu na Zona Oeste de São Paulo, já viu muita coisa mudar na noite paulistana. Conta que quando começou, só se via rock e MPB acústica nos bares da cidade. Com suas influências do samba, da black music e do forró, Zé Eduardo introduziu guitarras, baterias e baixos nas estruturas simples dos shows em Pinheiros e ajudou a formar esse mercado na região.

Hoje o cenário é outro na região, das misturas musicais às alimentares. Com bares e restaurantes para todos os gostos e bolsos, a região de Pinheiros atualmente concentra casas de samba, forró e música latina.

Essa combinação de elementos deu origem ao grupo “SambaSoul”, em 2005. “O soul é uma canção que vem do fundo da sua alma e ser cantor de soul é uma responsabilidade, fazer as pessoas se permitirem, chorar, é uma coisa louca”, comenta. No entanto, a pitada brasileira do samba fez o público dançar e se emocionar ao mesmo tempo.

Mas os pés dançantes de Zé não pararam por aí. Em 2012 fez parte do projeto “Fechado para Balanço” e com outros cinco integrantes levou samba, soul e um quê de romantismo para os palcos com o auxílio de instrumentos de sopro.

Seu novo álbum, simplesmente “Zé”, o cantor estreia suas composições autorais ao lado de 11 músicos convidados e amigos de longa data. “É um trabalho alegre e dançante”, resume. Com canções como “Dona do Meu Barracão” e “Doido Varrido”, Zé descreve amores que tem na cadência da música negra, a sensualidade e entrega brasileira.

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