A manifestação do Coletivo Nuvem Negra ocorreu no Centro Acadêmico do curso de Direito da PUC-Rio. As agressões registradas durante as competições dos jogos jurídicos foram de objetos arremessados até ofensas verbais

 

Texto / Anna Laura
Imagem / Coletivo Nuvem Negra

Três episódios de racismo marcaram os Jogos Jurídicos do Rio de Janeiro. Todos eles com uma coisa em comum, além do caráter racista: os ataques partiram de alunos do curso de Direito da PUC-Rio.

Os alunos da universidade citada saíram do ginásio imitando macacos para ofender os atletas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) após um jogo de basquete masculino. Já durante a final de handebol feminino contra a Universidade Federal Fluminense (UFF), uma aluna da torcida da PUC-Rio chamou uma estudante do time da UFF de “macaca”.

Os absurdos não param por aí: além de tudo isso, um aluno puquiano jogou uma banana para um jogador negro da Universidade Católica de Petrópolis (UCP).

Todos esses casos de racismo registrados durante os jogos causaram uma revolta entre os estudantes negros da PUC, como foi o caso do Coletivo Nuvem Negra.

O estudante de Jornalismo Leonne Gabriel, 22 anos e atuante no coletivo, conversou com o Alma Preta e nos contou um pouco mais sobre a articulação dos membros perante os casos registrados. “Nós recebemos muitas denúncias na página do coletivo. Foi aí que vimos que a situação era séria”, explica.

Em 5 de junho, o coletivo realizou seu primeiro protesto, colando cartazes de repúdio no Centro Acadêmico de Direito Casa Cael Eduardo Costa. “Nós queríamos colher informações e fazer algo que surtisse um efeito prático”, conta Leonne.

Logo após a primeira intervenção, o coletivo enviou duas cartas: uma para o departamento de Direito e outra para a vice-reitoria, reivindicando algumas exigências. Duas delas eram inclusões de disciplinas étnico-raciais e contratação de professores negros.

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Cartazes arrancados pelos estudantes de Direito da PUC-Rio (Foto: Coletivo Nuvem Negra)

Reação dos estudantes do curso de direito

Foram cerca de sete intervenções por toda a faculdade. Diversos cartazes de repúdio e com conteúdo pedagógico para alunos e professores foram espalhados pela instituição carioca. Porém, durante o período da noite, outro comportamento dos estudantes de Direito chamou a atenção e causou revolta.

“Os alunos do curso começaram a arrancar os cartazes que colocamos no centro acadêmico. Eles não esperavam, porém, que ao lado estivesse acontecendo uma reunião com os alunos negros”, conta o universitário. Imediatamente houve outra manifestação dos alunos negros de reação à atitude dos estudantes de Direito.

Mobilização Estadual

A fim de prestar apoio ao Coletivo Nuvem Negra, grupos negros de outras universidades como UERJ e UFF se juntaram ao coletivo para mais um protesto dentro da universidade.

“O racismo não é uma questão isolada, ele acontece em outras universidades também. É uma realidade na estrutura acadêmica branca, e precisamos mudar isso”, conclui Leonne.

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