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Maior percentual de negros desempregados está concentrado nas regiões Nordeste e Sudeste do país, onde há mais pretos e pardos, de acordo com o IBGE. Cerca de 63% dos desempregados no Brasil são negros

Texto / Pedro Borges
Imagem / CNM / CUT

De cada três brasileiros desempregados no Brasil, dois são negros, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o terceiro trimestre de 2017. Em números absolutos, há 8,2 milhões de pretos e pardos, que compõem o grupo racial negro de acordo com o IBGE, desempregados no país e 4,7 milhões de brancos na mesma condição.

A taxa de desemprego entre os negros é de 14,6%, enquanto a dos brancos é de 9,9%, contra média nacional de 12,4%. O desemprego para a população negra é 47,1% maior do que o da população branca.

Os números também mostram que, nas regiões onde há maior concentração de população negra, caso do Nordeste e Sudeste, é onde estão as maiores taxas de desemprego entre pretos e pardos.

Em Pernambuco, o desemprego entre os negros chegou a 19,4%, a maior marca entre os estados da nação. Outras regiões com altos índices são Bahia (17,5%), Rio de Janeiro (16,7%) e São Paulo (16,3%).

Najara Costa, mestranda em ciências humanas e sociais na Universidade Federal do ABC (UFABC) e especialista na inclusão do negro no mercado de trabalho, acredita o campo profissional é um ótimo exemplo da exclusão do negro no Brasil.

“O fenótipo racial é determinante para pensar a desigualdade no Brasil. Ainda hoje, o critério da boa aparência, por mais que esteja implícito, em tempos atrás, já esteve explicito em anúncios de jornal e emprego".

Além de desempregado em maior número, quando inserido no mercado de trabalho, o negro está em situação mais vulnerável. De acordo com dados do IBGE, 71,3% dos pretos e pardos empregados têm carteira assinada, contra 75,3% da média nacional.

Reflexo disso são os setores ocupados por negros, presentes em setores da economia mais fragilizada. Dos dez grupos de serviço mapeados pelo IBGE, a população negra é maioria em quatro: agricultura, construção, serviços de alojamento e alimentação e, especialmente, no serviço doméstico.

O contraste também se estende para os salários. Segundo o IBGE, a média salarial do trabalhador preto e pardo é de R$ 1.531, enquanto a do branco é de R$ 2.757, quase o dobro.

A discrepância racial nos postos de trabalho ocupados por negros e brancos e no nível de salário dos dois grupos étnicos também é uma das faces do racismo no Brasil, de acordo com Najara Costa.

“Os postos no mercado de trabalho com maiores prestígio e remuneração são ocupados por pessoas brancas. Por mais qualificada que uma pessoa negra possa ser, é no mercado de trabalho onde ela será excluída ou desqualificada, ou ter os piores salários”.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
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