Mulheres negras, feministas, mães e LGBTs criaram o “Estamos Listas” para aumentar a representatividade na política

Texto / Nataly Simões | Edição / Pedro Borges | Imagem / Reprodução

Em Medellín, na Colômbia, quase 53% da população de mais de 2,5 milhões de habitantes é formada por mulheres. Na Assembleia Legislativa, elas ocupam apenas cinco das 21 cadeiras.

Para construir um cenário político igualitário, mais de duas mil mulheres criaram o movimento “Estamos Listas” – estamos prontas, em português. São mulheres diversas, entre negras, feministas, mães e LGBTs.

Para concorrer às eleições, que ocorrem no dia 27 de outubro, o “Estamos Listas” precisou colher 15 mil assinaturas. Entre as propostas apresentadas pelo movimento, estão a redução da desigualdade de renda e a implementação de políticas públicas de combate à violência contra a mulher.

Marta Lopez, ativista e integrante do movimento, destaca que o número de feminicídios em Medellín aumentou 30% em 2018. “As estatísticas mostram que os feminicídios cresceram, mas o governo não se importa. As mulheres precisam ocupar os espaços de poder para criar políticas que as protejam”, explica.

Eleição em Medellín

A votação dos conselhos municipais da Colômbia é feita por legenda e mantém um sistema de cotas por gênero. O partido ou movimento político envia uma lista com os nomes dos candidatos e 30% deve ser de um dos gêneros.

O “Estamos Listas” destinou as cotas ao sexo masculino e enviou uma lista com 20 nomes, escolhidos em votação interna. Seis são de homens, o equivalente a 33%.

“As mulheres representam a maior parte da população, então devemos ser maioria no legislativo. Os homens que estão na nossa lista também são engajados nas pautas voltadas para os direitos da população feminina”, conta Marta Lopez.

A estratégia adotada pelo “Estamos Listas” para alcançar as 15 mil assinaturas e disputar as eleições foi a de levar a política para a vida cotidiana das mulheres.

O movimento criou grupos para homenagear figuras feministas importantes para a luta dos direitos das populações mais vulneráveis, como os negros.

“Nós nos organizamos em círculos de confiança inspirados em mulheres como Marielle Franco. Dessa forma, conseguimos apoio para nossa candidatura”, lembra Marta Lopez.

A articulação de mulheres negras para construir candidaturas e frentes progressistas marca um novo momento na história da democracia colombiana. É o que acredita Marta Lopez.

“Para que haja democracia, as mulheres negras devem estar nos espaços de poder. Isso nunca tinha acontecido. Os poderosos estão contra nós, mas somos a esperança da Colômbia e estamos unidas”, completa a ativista e integrante do “Estamos Listas”.

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