Ela é considerada referência nacional na luta antirracista e contra o genocídio da juventude negra. Entre os cargos em que ocupou, está o de ouvidora geral da Defensoria Pública da Bahia (DP-BA)

Texto / Lucas Veloso | Edição / Pedro Borges | Imagem / Acervo Pessoal

Poucas vezes ela aparece sozinha nas fotos. Ao longo da vida se engajou em diversos coletivos de direitos humanos e participou de ações em prol da melhoria de vida das mulheres negras em Salvador.

Vilma Reis, uma das ativistas mais atuantes do movimento negro da Bahia, anunciou, no começo de julho, sua pré-candidatura à prefeitura de Salvador.

Entre suas atuações está o coletivo Luiza Mahin, formado por mulheres negras na intenção de pautar as demandas dessa população, bem como o impacto das políticas públicas em Salvador.

A pré-candidatura foi anunciada no Facebook. Além da frase “As Mulheres Negras construindo um programa para governar toda Salvador!!!”, uma ilustração com os dizeres “Agora é ela” completou a postagem.

O anúncio causou apoio de ativistas do movimento negro, que se manifestaram alegres à pré-candidatura nas redes sociais. A maior parte deles marcou Vilma e repetiu a expressão "#bicaonadiagonal”, dita frequentemente pela socióloga em suas falas públicas.

“Eu nunca tinha me colocado como candidata a nenhum cargo, nem nas eleições parlamentares e nem no partido, por isso é um processo desafiador. Essa disputa é uma proposta apresentada pelos movimento de mulheres”, observa a pré-candidata.

Pré-candidatura

Mesmo filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), ela não ainda não definiu por qual legenda vai ser candidata.

Se eleita, já tem projetos que pretende colocar em prática na cidade. Um exemplo são as creches. Para Vilma, é um dos principais problemas a serem corrigidos na cidade. “Queremos escolas críticas. Um projeto amplo de creche em Salvador, pois faltam mais de 170 mil vagas”, defende.

“Com essa ausência de vagas, é um drama maior à maioria negra e pobre. Nós temos políticas em todos os aspectos entendendo que não dá pra desenvolver uma cidade deixando de lado os os negros, e as mulheres”, completa a socióloga.

Referência nacional na luta antirracista e contra o genocídio da juventude negra, Vilma foi ouvidora-geral da DP-BA de 2015 a 2019. No seu mandato, aproximou o órgão de grupos vulneráveis, pela luta contra o racismo e o sexismo na atuação dos órgãos de justiça.

“Não é possível que chegue até nós, pessoas negras, somente o braço armado das forças de segurança, afinal, nós somos o sustento dessa cidade”, arremata a socióloga.

Trajetória

Reis nasceu em Marechal Rondon, bairro residencial na cidade de Salvador. Com 2 anos foi morar em Nazaré das Farinhas, interior da Bahia. Seu pai era ferroviário e sofreu um acidente na local de trabalho. Quando saiu do hospital, foi obrigado a assinar documentos que o fizeram perder direitos trabalhistas. Pressionado pelas questões sociais, acabou em um sanatório.

A menina passou a ser criada por sua avó. Vilma lembra frequentemente da frase dita por ela como incentivo. “Eu estou limpando a casa dos brancos e catando pimenta de ganho, mas você tem obrigação de ser doutora”. Hoje, Vilma coleciona diversos títulos acadêmicos que dariam orgulho à avó.

Em 2001, apresentou a monografia “Operação Beiru - Falam as Mães dos que Tombaram”. No mestrado, em 2005, a dissertação “Atucaiados pelo Estado: as políticas de segurança pública implementadas nos bairros populares de Salvador e suas representações”.“Mulheres Negras – criminalizadas pelas mídias, violadas pelo Estado” é o tema de sua tese no doutorado.

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