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Ao todo, 11 pessoas foram assassinadas em 19 de maio do ano passado; oito acusados aguardam julgamento

Texto / Flávia Ribeiro | Edição / Simone Freire | Imagem: Reprodução

Há um ano, o bairro do Guamá, o mais populoso de Belém, ganhava manchetes até da imprensa internacional com uma chacina que resultou na morte de 11 pessoas e deixou uma ferida. Neste ano, além de lidar com as lembranças, o bairro, na periferia da capital paraense, enfrenta um novo desafio: está entre os que mais concentram casos confirmados de Covid-19, o novo coronavírus.

A chacina se deu na tarde de 19 de maio de 2019, quando homens invadiram o Wanda’s Bar, localizado na Passagem Jambu, nº52 e dispararam em várias pessoas matando seis mulheres e cinco homens: Alex Rubens Roque Silva; Flávia Telles Farias da Silva; Leandro Breno Tavares da Silva; Maria Ivanilza Pinheiro Monteiro; Márcio Rogerio Silveira Assunção; Meire Helen Sousa Fonseca; Paulo Henrique Passos Ferreira; Samara Santana da Silva Maciel; Samira Tavares Cavalcante; Sergio dos Santos Oliveira e Tereza Raquel Silva Franco. O único sobrevivente tem sua identidade protegida.

As investigações apontaram que somente duas pessoas seriam os alvos e que a ação durou um minuto. Foi identificado o envolvimento de oito pessoas no crime. Dos acusados, quatro são policiais militares. Dentre os civis, um está foragido. O julgamento dos policiais militares estava marcado para acontecer em março deste ano, mas por conta da pandemia do novo coronavírus precisou ser adiado. Os julgamentos correm na justiça militar e na justiça comum.

Pandemia

O Guamá é o bairro mais populoso de Belém, com cerca de 100 mil habitantes. Sempre lembrado por tragédia e caos de violência, o lugar, como toda periferia também, é marcado por manifestações culturais e outras formas de resistência. Neste ano, os moradores se veem com um novo desafio: a pandemia da Covid-19.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) há 389 casos confirmados da doença lá. É o terceiro mais atingido da capital, que soma 7.485 casos. O Pará acumula 18.929 casos confirmados nesta quarta-feira (20) com 1.778 óbitos.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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