A história do político, guerrilheiro e poeta que vivenciou a repressão de dois regimes autoritários

Texto/Aline Bernardes

Imagem/Arquivo

Foi um dos principais organizadores da resistência contra o regime militar e considerado o inimigo número um da ditadura. Ao todo foi à prisão por quatro vezes, lá sofreu espancamentos e torturas, a primeira aos vinte anos de idade. Foi militante do Partido Comunista por 33 anos e depois fundou o movimento armado Ação Libertadora Nacional (ALN).

Sua trajetória política começou bem jovem. Em 1932 foi preso pela primeira vez ao escrever um poema com críticas ao interventor da Bahia, Juracy Magalhães. Depois de quatro anos abandonou o curso de Engenharia Civil e se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), na época dirigido por figuras como Astrojildo Pereira e Luís Carlos Prestes. Tornou-se, então, militante profissional do partido e foi morar no Rio de Janeiro.

Durante a Era Vargas, foi preso por subversão e torturado pela polícia duas vezes. Até 1945 permaneceu na prisão quando foi beneficiado com a anistia pelo processo de redemocratização do país.

Elegeu-se deputado federal constituinte pelo PCB baiano em 1946, como um dos mais bem votados da época. Mas Marighella perdeu o mandato porque o governo Dutra cassou todos os políticos filiados a partidos comunistas.

Impedido de atuar pelas vias legais, retornou à clandestinidade e ocupou diversos cargos na direção partidária. Convidado pelo Comitê Central, passou os anos de 1953 e 1954 na China, para conhecer de perto a Revolução Chinesa.

Em maio de 1964, após o golpe militar, foi baleado e preso por agentes do DOPS dentro de um cinema, no estado do Rio de Janeiro. Em 1965 foi libertado por decisão judicial e no ano seguinte engajou-se na luta armada contra a ditadura e escreveu o livro “A crise brasileira”.

Em 1967 foi expulso do PCB por divergências políticas, e então fundou o grupo armado Ação Libertadora Nacional (ALN), com dissidentes do partido. Essa organização participou de diversos assaltos a banco e do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em setembro de 1969, em uma ação conjunta com o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). Depois, o embaixador foi trocado por 15 presos políticos.

Os órgãos de repressão da ditadura militar concentraram esforços em sua captura. Na noite de 4 de novembro de 1969, Marighella foi surpreendido por uma emboscada na alameda Casa Branca, na capital paulista. Foi morto a tiros por agentes do DOPS, em uma ação coordenada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury. A morte de Marighella marcou a história da resistência armada urbana à ditadura militar no Brasil. A ALN continuou em atividade até o ano de 1974.

Alguns escritos políticos de Marighella, embora redigidos em português, ganharam primeiro uma edição em outra língua, devido à censura imposta a obras do gênero pelo regime militar brasileiro. É o caso de “Pela libertação do Brasil”, que em 1970 ganhou uma versão na França, financiada por grupos marxistas.

Estão disponíveis em português: “Alguns aspectos da renda da terra no Brasil” (1958), Algumas questões sobre as guerrilhas no Brasil (1967) e “Chamamento ao povo brasileiro” (1968). Uma das mais divulgadas obras de Marighella, “O minimanual do guerrilheiro urbano”, foi escrita em 1969, para servir de orientação aos movimentos revolucionários.  

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