Abaixo-assinado criado por internautas tem como objetivo requerer a entrada da escritora para o rol de imortais; manifesto já tem quase 6 mil assinaturas

Texto / Amauri Eugênio Jr.
Imagem / Ana Maria Gonçalves

Representatividade e pluralidade. Este é um dos aspectos que vem à tona quando se fala na campanha online para a entrada de Conceição Evaristo para a Academia Brasileira de Letras.

Criada pelo grupo Nós Movimento e lançada na plataforma Change.org, a petição online tem como objetivo momentâneo alcançar 7,5 mil assinaturas - até a publicação deste texto, a campanha obteve apoio de mais de 5,9 mil pessoas.

O objetivo da campanha é promover o ingresso da escritora ao ocupar a cadeira 7, vaga após a morte de Nelson Pereira dos Santos.

Outro aspecto a ser levado em conta diz respeito à composição do grupo atual de imortais: das 40 cadeiras da ABL, apenas cinco são ocupadas por mulheres - Ana Maria Machado; Cleonice Berardinelli, atual decana da casa; Rosiska Darcy de Oliveira; Lygia Fagundes Telles e Nélida Piñon. Vale dizer que todas elas são mulheres brancas.

Em texto publicado no site do grupo Nós Movimento, Juliana Borges, pesquisadora em antropologia, cita a “escrevivência”, conceito formulado por Conceição no qual o mote da criação é a vivência, consiste em “reflexão a partir de vivências constituidoras de uma experiência de grupo social, de identidades coletivas potencializadoras de umas das outras, constituidoras de formulações, saberes e salvaguardas de ancestralidade que apontam perspectivas futuras.”

Ainda de acordo com essa perspectiva, usada para fundamentar a campanha para a entrada de Conceição Evaristo na ABL, escrever consiste em ruptura com a passividade de leitura para o papel de produtor de conhecimento. “A escrita é, portanto, para as mulheres negras um ato revolucionário, insubordinado e que se evidencia desde os temas abordados por estas escritas, até os métodos e formas que rompem com o esperado e imposto nas normas literárias, e sociais, sendo o encontro entre forma e conteúdo como posicionamentos políticos.”

Para completar, o texto-manifesto usa citação da própria escritora sobre a representação da mulher negra na literatura: “a literatura brasileira, desde a sua formação até a contemporaneidade, apresenta um discurso que insiste em proclamar, em instituir uma diferença negativa para a mulher negra. A representação literária da mulher negra ainda surge ancorada nas imagens de seu passado escravo, de corpoprocriação e/ou corpo-objeto de prazer do macho senhor. Interessante observar que determinados estereótipos de negros/as, veiculados no discurso literário brasileiro, são encontrados desde o período da literatura colonial.”

Para assinar a petição em prol da entrada de Conceição Evaristo na Academia Brasileira de Letras, basta acessar este link.

 

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