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Dar visibilidade à memória da população negra é o propósito da caminhada, um tour de cerca de 3h por regiões emblemáticas da cidade, como o Largo do Paysandu, Largo do Arouche, entre outros.

Texto / Redação

Imagem / Henrique Camara

Sob outras perspectivas e narrativas, no próximo dia 14 de abril, paulistanos e turistas são convidados a conhecer o Centro da cidade de São Paulo (SP) . A Caminhada São Paulo Negra leva o público a conhecer lugares importantes da história da população negra na cidade.

Dar visibilidade à memória da população negra é o propósito da caminhada, um tour de cerca de 3h por regiões emblemáticas da cidade, como o Largo do Paysandu, Largo do Arouche, entre outros.

Em cada parada por diiversos pontos da cidade, os guias Guilherme Soares Dias, Heitor Salatiel e Luciana Paulino revelam histórias esquecidas, fatos curiosos e legados de personalidades negras que marcaram a cidade, como Luiz Gama, Carolina Maria de Jesus e o arquiteto Joaquim Pinto de Oliveira, o Tebas.

“Suas marcas e histórias pela cidade são reveladas e há sempre o questionamento do porquê não conhecemos essas figuras tão importantes antes”, conta Guilherme Dias, jornalista, colunista da Carta Capital e autor do livro Dias pela Estrada.

Entre estes locais também está o Bairro da Liberdade, ponto de partida para a caminhada, que revela histórias e personalidades que deixaram marcas e contribuíram com o desenvolvimento da cidade. Reduto negro nos séculos XVIII e XIX, o bairro abrigava o antigo Pelourinho e o Largo da Forca, no período colonial, e também algumas rotas de fuga de escravizados da cidade.

“As histórias negras estão por toda a cidade, no centro e em todas as esquinas (inclusive na Ipiranga com São João, a mais famosa delas), apesar de muitas vezes não serem contadas”, completa Dias.

Capital

Em São Paulo, 37% da população se autodeclara de cor preta ou parda, o que soma cerca de 4 milhões de pessoas, fazendo que essa seja a maior população negra em uma cidade no país. Salvador, por exemplo, tem cerca de 3 milhões de habitantes no total, sendo que mais de 80% se declaram pretos ou pardos.

Além dos pontos históricos, a caminhada também destaca a ocupação do Centro da cidade por imigrantes e refugiados africanos. Uma das paradas foca a cultura trazida pelos imigrantes, como restaurantes, lojas de roupas, músicas e centros culturais onde as comunidades se encontram.

A saída da caminhada será às 10h, com ponto de encontro no Metrô Liberdade. Para participar, os interessados devem se inscrever no site www.diaspora.black. As inscrições custam R$ 50 e o pagamento pode ser feito com transferência ou depósito.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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