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Caso o valor mencionado pelo presidente estivesse correto, cada família teria recebido em média 5.420 reais por mês

Texto: Redação | Edição: Nataly Simões | Imagem: Adriano Machado

O presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) discursou na abertura da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) na manhã desta terça-feira (22) e elogiou a forma como seu governo tem conduzido a pandemia da Covid-19, o novo coronavírus. Apesar de o país estar em terceiro lugar em número de mortos no mundo, com mais de 137 mil óbitos, Bolsonaro disse que o Brasil está “vencendo a pandemia” e mentiu ao dizer que concedeu auxílio-emergencial de cerca de “1 mil dólares para 65 milhões de famílias”.

Conforme publicado pela Revista Fórum, o valor de hoje do dólar é de R$ 5,42. Se o valor afirmado por Bolsonaro no discurso fosse real, cada família brasileira que solicitou o auxílio emergencial e recebeu, teria ganho em média R$ 5.420 por mês.

Bolsonaro não afirmou se o valor de 1 mil de dólares era mensal ou total, no entanto, mesmo que todos os beneficiários tivessem recebido R$ 1.200 por mês (e só aproximadamente 20% receberam isso), o valor total pago em quatro meses seria de R$ 4.800. A média total dos pagamentos não ultrapassa sequer 500 dólares.

Renda básica

No início da pandemia, a equipe econômica de Jair Bolsonaro, chefiada pelo ministro Paulo Guedes, anunciou que o valor do auxílio emergencial seria de R$ 200. Após mobilização da oposição, o valor aprovado no Congresso Nacional foi de R$ 600.

Passados seis meses desde o início da pandemia, o governo anunciou que o valor de R$ 600 será cortado pela metade e as famílias já beneficiadas receberão R$ 300 até dezembro. Diante do anúncio, cerca de 300 organizações da sociedade civil lançaram a campanha #600AtéDezembro, que consiste em um abaixo-assinado. O objetivo é pressionar o Congresso Nacional a votar e alterar a Medida Provisória (MP) 1000/20, permitindo a manutenção do valor de R$ 600 mensais do benefício, e de R$ 1200 para mães chefes de família, sem qualquer alteração nos demais programas sociais do governo.

“Em todo o mundo a pandemia foi mais um momento de concentração de renda e no Brasil, onde a desigualdade é astronômica, as consequências foram ainda mais perversas, empurrando milhares de brasileiros para a fome e a pobreza”, destaca Paola Carvalho, diretora de relações institucionais da Rede Brasileira de Renda Básica, que integra o movimento Renda Básica Que Queremos.

Pelas regras de tramitação, a MP passa a valer no momento de sua publicação, e tem até 120 dias para ser votada. Ou seja, se a medida não for apreciada no Congresso, os R$ 300 vão continuar valendo até dezembro. Como no dia 30 de setembro terminam os pagamentos das parcelas desse mês, é precisamos que até lá já tenha sido restabelecido o valor de R$ 600 reais do benefício.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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