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Casos da Covid-19 saltaram de 973 em junho para 4 mil em agosto, com quase 150 mortos; na ausência do poder público, organizações monitoram por conta própria os casos da doença nos territórios

Texto: Flávia Ribeiro | Edição: Nataly Simões | Imagem: Prefeitura de Carneiros

A semana começa com 4.017 registros de pessoas infectadas pela Covid-19, o novo coronavírus, em quilombos de todo o Brasil e 148 mortos. Desde que começou a monitorar os casos da doença nos territórios, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) vem demonstrando o quanto a pandemia avança entre os moradores das comunidades.

O último boletim epidemiológico, com dados de 7 de agosto, mostra ainda 1.187 casos monitorados e três óbitos sem confirmação de diagnóstico (Bahia, Minas Gerais e Pará).

O boletim publicado com dados do dia 29 de julho mostrou 3.798 infectados, 138 óbitos, além de 949 casos em monitoramento. Mas foi nos primeiros dias do mês de julho que houve o maior registro, com mais do que o dobro dos registros.

No dia 30 de junho eram 973 casos confirmados, menos da metade dos casos registrados em 10 de julho, quando foram contabilizados 2.590 casos confirmados. Os dados na plataforma online Quilombosemcovid19 davam conta ainda de 127 óbitos e 197 casos monitorados.

Avanço da Covid 19 nas comunidades quilombolas

Região amazônica concentra mais casos

Ao longo dos meses, a região amazônica vem se confirmando como o lugar onde mais há quilombolas doentes e mortos pelo novo coronavírus. No boletim mais recente, são mais de 50% dos casos totais. O Pará vem despontando como o estado com o maior número de casos confirmados e de mortes.

O estado também realiza um boletim autônomo e diário pela Coordenação das Associações das Comunidades Quilombolas do Estado do Pará – Malungu, em parceria com o Núcleo de Estudos Interdisciplinares em Sociedades Amazônicas, Cultura e Ambiente (Sacaca) da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).

A atualização mais recente, com dados do domingo (9), mostra 43 óbitos, 1.708 confirmações, duas internações e 1.166 casos com suspeita e sem assistência médica.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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