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Em entrevista ao Alma Preta, Rodrigo França, ator e ex-BBB, fala sobre a presença do também ator e amigo Babu Santana no Big Brother Brasil e sobre o racismo no meio artístico

Texto: Nataly Simões | Edição: Pedro Borges | Imagem: Leo Lara/Universo Produção

Alexandre da Silva Santana, mais conhecido como Babu, é o único homem negro, gordo e periférico da 20ª edição do Big Brother Brasil (BBB). Por falar abertamente sobre as opressões sociais que vive como o racismo, o ator famoso por sua atuação como protagonista no filme “Tim Maia”, de 2014, tem dividido opiniões sobre seu comportamento na casa.

Nas redes sociais, de um lado estão aqueles que apoiam seus posicionamentos sobre os problemas sociais, enquanto outros repudiam suas atitudes na convivência entre os participantes, como a disputa por comida e o jogo de cintura necessário para se manter no reality show. Nesta semana, Babu foi alvo de críticas após uma discussão com as mulheres da casa por causa do racionamento de biscoitos. O ator reclamou da atitude das participantes e afirmou que “ficar contando comida é algo que me embrulha o estômago”.

O também ator Rodrigo França, que participou da edição de 2019 do BBB, conhece Babu Santana há pelo menos 15 anos. Os dois atuaram juntos no filme “Quase Dois Irmãos”, de 2005. Para França, a presença de Babu no programa deve ser motivo de aprendizado para as pessoas sobre humanidade.

“Foi uma surpresa vê-lo no programa e eu sabia que ele poderia imprimir uma representatividade muito positiva. Babu é muito envolvido em projetos sociais nas comunidades que ele já passou ao longo da vida. É um chefe de família que tem responsabilidade em aprender cada vez mais”, conta.

“Com o Babu, as pessoas devem aprender a humanizar corpos socialmente desumanizados e que mostram como precisamos desconstruir estereótipos racistas. A presença dele é para sinalizar a existência de vários tipos de masculinidades, com acertos e erros completamente humanos”, acrescenta.

Após receber nove votos dos outros participantes da casa no domingo (16), Babu Santana está no paredão com Lucas Gallina e Victor Hugo. Caso o artista continue na casa depois desta terça-feira (18), Rodrigo França, que foi alvo de racismo durante sua participação na edição passada, espera que Babu não passe a ser visto como o maior adversário do jogo somente por ser quem é.

“Espero que o respeitem na medida em que os homens padrões estão saindo, pois se trata de um reality show que precisa de antagonistas e protagonistas. O homem negro, gordo e favelado não deve ser visto como antagonista porque é fácil reproduzir esse tipo de estereótipo racista”, sustenta.

Talento x reconhecimento

Entre comédias, dramas e musicais, Babu Santana já participou de pelo menos 20 filmes e 27 produções televisivas. O ator também tem em sua bagagem duas premiações do “Grande Prêmio do Cinema Brasileiro”, como melhor ator por “Tim Maia” (2014) e melhor ator coadjuvante por “Estômago” (2007), e em 2018 foi homenageado na 21ª Mostra Tiradentes.

Desempregado e com dívidas acumuladas, a realidade do ator é diferente da de diversos artistas não-negros. Rodrigo França lembra que o racismo permeia inclusive as relações de poder dentro do espaço artístico.

“O racismo está presente até mesmo na arte, um meio que se coloca tão progressista, evoluído e revolucionário. O Babu é um dos maiores atores que nós temos, mas está desempregado e precisando cada vez mais do básico. O Brasil não valoriza o artista negro e um dos exemplos do quanto o nosso país é racista é o Babu estar desempregado”, avalia.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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