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Kwame Asafo N. Atunda, da Medu Neter-Livros, listou algumas publicações que discutem o povo negro dentro e fora de África

Texto / Kwame Asafo N. Atunda
Imagem / Reprodução

A Medu Neter-Livros tem como missão a divulgação de autores africanos nascidos na diáspora e na terra mãe. Para a libertação de nosso povo temos que neutralizar a colonização e a universalização do saber feito pelos agentes do eurocentrismo, como disse a mais velha Dra Marimba Ani; “nossa cultura é nosso sistema imunológico” e para isso devemos redefinir a nossa realidade, a nossa perspectiva africana.

Confira a lista de livros abaixo:

A deseducação do Negro - Carter G. Woodson

Neste trabalho, Dr. Woodson demonstra como a educação do negro é feita para doutrina-lo e conseqüentemente o tornar um "leproso social". Dr. Carter G. Woodson não só aponta os sintomas da doença, mas também indica a medicação!

a deseducação do negro

A Nova Segregação: racismo e encarceramento em massa - Michelle Alexander

Para destruir uma raça basta simplesmente atacar sua parte masculina. Alexander descreve como os Estados Unidos aprisionam um terço de sua população africano-americana. Qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência. Quando combinado com o fato de que os brancos são mais propensos a cometer crimes de drogas do que pessoas negras, a questão fica clara para Alexander: "Os alvos primários do controle [do sistema penal] podem ser definidos em grande parte pela raça".

Isso, em última análise, leva Alexander a acreditar que o encarceramento em massa é "um sistema incrivelmente abrangente e bem disfarçado de controle social racializado, que funciona de maneira muito semelhante a Jim Crow. "O ponto culminante desse controle social é o que Alexander chama de "sistema de castas raciais", um tipo de estratificação em que as pessoas de cor são mantidas em uma posição inferior. E alvo dessa perseguição tem sido o Homem preto.

Civilização ou Barbárie - Cheikh Anta Diop

Em Civilization ou Barbárie, Cheikh Anta Diop oferece uma reinterpretação inteligente e baseada em fatos das falsas doutrinas apresentadas pelos racistas europeus brancos no século XIX. As falsas crenças de que o Egito era uma civilização branca e de que a civilização negra fracassou em contribuir para a base coletiva de conhecimento da humanidade são efetivamente contrabalançadas por evidências lingüísticas, históricas e arqueológicas que apontam para um Egito Negro a origem africana de civilizações antigas e sofisticadas. Dr. Diop aborda as origens da humanidade a partir de uma abordagem paleontológica, revelando que tanto os primeiros humanos quanto os primeiros habitantes da Europa eram negros.

Gênios da Humanidade - Carlos Machado

Um livro apaixonante, que abordará todas as aéreas do conhecimento da humanidade desenvolvidos por africanos desde à antiguidade a contemporaneidade. E um passeio histórico sobre a participação dos Negros nas áreas biológicas, humanas e exatas. Na mais pura tradição Diopina o autor Carlos Machado tira o véu racista sobre a África como um continente a margem da história e das conquistas humanas, sendo lá o berço da civilização, da filosofia, religião e tecnologia.

Bantos, Malês e Identidade Negra - Nei Lopes

Pérola, é a definição para esse trabalho de Nei Lopes (Te amo mestre). Além de fazer uma análise entre Negritude e Islã, o livro desmistifica a Iorubarização feita no Brasil. O livro conta a trajetória de personagens históricas como Rainha Njinga aos Reis do Congo. E também sobre a influência banta na formação da língua portuguesa brasileira.

Jacobinos Negros - C.R.L. James

Devo dizer que não gosto do nome Jacobino, até porque o Haitianismo e a revolução francesa são antagônicos. Tirando esse detalhe é um livro espetacular. CRL James narra e analisa a rebelião dos cativos da colônia francesa situada na ilha de São Domingos. Nessa rebelião, o autor destaca a ação do líder negro Toussaint L’Ouverture, que, após derrotar exércitos da França, e da Inglaterra, ganhou o domínio da colônia francesa.

Em seguida, a obra de se detém na determinação de Bonaparte de restaurar o sistema de escravidão e o envio da força expedicionária francesa comandada por Leclerc. Toussaint L’Ouverture viria a ser enganado e aprisionado. Seus companheiros e Dessalines prosseguiram o combate e conquistaram em 1804 a Independência definitiva, batizando o país com o nome nativo de Haiti.

Atitudes raciais de pretos e mulatos de São Paulo - Virgínia Bicudo

Atitudes Raciais de Pretos e Mulatos em São Paulo é literatura obrigatória para interessados em História, Relações Raciais, Psicologia, etc.
O livro é fruto de sua dissertação de mestrado que consiste num trabalho muito denso, mas que é apresentado de forma muito clara por Virgínia e está dividido em cinco etapas, onde a autora coletou depoimentos de pretos e mulatos oriundos de classes sociais distintas.

Bicudo expõe inicialmente os depoimentos coletados de indivíduos pretos de classe social inferior e de classe social intermediária. Logo depois, descreve os relatos de indivíduos mulatos de classe social inferior e intermediária e por último apresenta os depoimentos obtidos de integrantes da Frente Negra Brasileira.

Entre o Mundo e eu - Ta-Nahisi Coates

"Entre o mundo e Eu" é apresentado sob a forma de uma carta. Coates está escrevendo para seu filho adolescente sobre a história da raça na paisagem americana. Uma paisagem moldada por tortura, roubo e escravidão. O mundo para Coates é mantido e governado por meios selvagens. Por exemplo, o policial da América carrega consigo o poder do estado americano e o peso de um legado americano (um legado que lhes deu um direito inato, o direito de bater, estuprar, roubar e pilhar o corpo negro), e eles necessitam dos corpos destruídos. Todos os anos, um grande número deles será preto. Na América é tradicional destruir o corpo negro - é um patrimônio. E porque é uma herança, os destruidores raramente serão responsabilizados.

Os negros na America latina - Henry Louis Gates Jr.

Esse livro é fundamental para entender as questões de raça na América latina. Apesar de sociedades distintas, a América latina tem em comum a forma de brutalizar a sua "população" africana, o autor visitou países como Brasil, México, Cuba, Peru e em todos se evidência, a classe social é baseada na pigmentação da pele, onde quanto mais escuro mais baixo será sua condição social, qualquer semelhança com a cultura de castas não é mera conhecidencia e, sim, o racismo latinoamericano e sua forma diferente do racismo americano que atira na testa, o latinoamericano atira na nuca.

Primavera para as rosas negras - Lélia Gonzáles

Esse livro traz textos-entrevistas da ancestral Lélia Gonzáles, suas experiências com o movimento negro, partido político e o campo acadêmico. Este livros é mais uma das ferramentas para a neutralização da supremacia branca e a sua universalização do saber ao moldes europeus, Lélia com seu ‘’pretugues’’ traz com palavras lúcidas os mecanismos para a emancipação intelectual africana.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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