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“Sabemos que isso é consequência do Racismo Estrutural e queremos medidas efetivas de capacitação sobre racismo para funcionários”, diz texto de convocação do ato

Texto / Simone Freire
Imagem / Reprodução

Uma manifestação foi convocada nas redes sociais para este domingo (17), na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ), em boicote ao supermercado Extra onde o jovem Pedro Henrique Gonzaga, de 19 anos, foi assassinado por um segurança do estabelecimento, nesta quinta-feira (14).

No evento criado no Facebook, nenhum grupo se identificou enquanto articulador da manifestação, mas a ação já conta com centenas de pessoas confirmadas.

Segundo a nota de chamamento do ato é preciso que a rede de supermercado faça mais do que abrir uma investigação sobre o assassinato. “Exigimos que esse homem seja demitido. [...] Que essa família receba uma indenização”, exaltam na rede social.

A capacitação dos profissionais que cuidam da segurança dos mercado também foi questionada no texto de chamamento.

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“Atos de racismo se tornam recorrentes nas notícias brasileiras, jovens negros tem sua vida ceifada por qualquer "mal entendido". Sabemos que isso é consequência do Racismo Estrutural e queremos medidas efetivas de capacitação sobre racismo para funcionários”, aponta o texto.

O caso

O assassinato de Pedro Henrique foi gravado por pessoas que estavam no estabelecimento e, logo depois, circulou pelas redes sociais. Na gravação, o segurança aparece imobilizando o jovem negro enquanto ignora os presentes no local que alertavam sobre a ação. “Tá sufocando ele. Ele tá com a mão roxa. Ele tá desacordado”, diziam.

 

 

A ação do segurança teria sido provocada por uma tentativa de furto no local. O jovem chegou a ser atendido no local por bombeiros, mas faleceu horas depois. O segurança foi detido, pagou fiança e foi solto na manhã desta sexta-feira (15).

Em nota, o supermercado Extra, que pertence ao Grupo Pão de Açúcar, afirmou que repudia atos de violência em suas lojas e que abriu uma investigação interna para apurar o caso.

No Brasil, segundo o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado sobre o Assassinato de Jovens, todo ano, 23.100 jovens negros de 15 a 29 anos são assassinados. São 63 por dia. Um a cada 23 minutos.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
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