A mobilização aconteceu depois de Pedro Baleotti declarar em um vídeo que a “negraiada vai morrer”

Texto/Aline Bernardes

Imagem/Divulgação AfroMack

Estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, participaram de dois protestos dentro do Campus no dia 30 de outubro. Os atos ocorreram em repúdio ao aluno do curso de direito que publicou vídeos em uma rede social que incitava a violência contra a população negra.

As mobilizações, às 8 horas e às 19 horas, contaram com mais de 5 mil estudantes de diversos cursos, segundo a organização. Todos presentes exigiam um posicionamento da faculdade como forma de resposta às declarações racistas.

No dia de votação do segundo turno das eleições, o estudante de direito, Pedro Bellintani Baleotii, de 25 anos, fez uma gravação em que afirmava ir votar “armado com faca, pistola, o diabo, louco pra ver um vadio, vagabundo com camiseta vermelha e já matar logo”. Logo depois, ele vira a câmera para um motoqueiro negro e diz: “essa negraiada vai morrer! Vai morrer!”

No vídeo, Pedro vestia uma camiseta com o rosto de Jair Bolsonaro (PSL) estampado. Em uma segunda gravação, ele manuseia uma arma e canta “capitão, levanta-te, o povo brasileiro precisa de você”.

Após a viralização dos vídeos nas redes sociais, o estudante foi demitido do escritório em que atuava como advogado.

O Coletivo Negro AfroMack publicou uma nota de repúdio no Facebook às declarações, que são enquadradas como crime. “Devemos salientar que o que foi dito pelo aluno constitui crime de Racismo, previsto na Lei 7.716/1989 e o crime de Injúria Racial Artigo 20, lei 7716/89″, diz o texto.

Posicionamento do Mackenzie

Em nota, a universidade afirmou que repudia as atitudes e que analisa como seguir com o caso.

“A Universidade Presbiteriana Mackenzie tomou conhecimento de vídeos produzidos por um discente, fora do ambiente da Universidade, e divulgados nas redes sociais, onde ele faz discurso incitando a violência, com ameaças, e manifestação racista. Tais opiniões e atitudes são veementemente repudiadas por nossa Instituição que, de imediato, instaurou processo disciplinar, aplicando preventivamente a suspensão do discente das atividades acadêmicas. Iniciou, paralelamente, sindicância para apuração e aplicação das sanções cabíveis, conforme dispõe o Código de Decoro Acadêmico da Universidade.”

Estudante se pronuncia

À TV Globo, o estudante afirmou que não é “racista, nem preconceituoso, muito menos violento”.

Disse ainda que “Só queria pedir perdão pelos sentimentos que eu causei nas pessoas que se sentiram até ameaçadas, enfim, agredidas, pela contundência do meu áudio aí completamente infeliz”, após os protestos na terça-feira, dia 30 de outubro.

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