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Edição online e brasileira do evento aconteceu no fim de semana e reuniu nomes como Attooxxa, Majur, Carlinhos brown e Hiran; curadoria foi feita pela cantora Larissa Luz

Texto: Victor Lacerda | Edição: Nataly Simões | Imagem: Reprodução

Com quinze anos de edições marcantes para a cultura negra mundial, o Festival Afropunk chegou ao Brasil pela primeira vez, em edição online, no último final de semana. Foram três dias (23, 24 e 25) de música, estilo e rodas de conversa. Tudo isso representa bem a proposta afrofuturista do festival, que escolheu Salvador como sua sede brasileira, berço de novos nomes da música nacional, e trouxe como tema central "O povo negro é o passado, o presente e o futuro".

Intitulado “Planet Afropunk”, a edição do evento reuniu o melhor das culturas negras do mundo, com programação de Nova Iorque, Atlanta, Paris, Londres e Joanesburgo. O festival, que aconteceria presencialmente na capital baiana, nos dias 28 e 29 de novembro, acabou por ser online devido à pandemia da COVID-19. Com acesso gratuito, através de uma plataforma própria, qualquer pessoa pôde acessar a programação nacional e internacional.

A apresentação das atrações musicais ficou por conta da modelo, empresária e digital influencer baiana Loo Nascimento, ou Neyzona, como é conhecida nas redes sociais. Nos intervalos, Loo aparecia em diferentes pontos turísticos e não turísticos de Salvador, trazendo a beleza estética e cultural da cidade e apresentando os artistas conterrâneos que viriam a seguir.

Com curadoria da artista baiana Larissa Luz, a programação mostrou a força da diversidade e representatividade da música baiana e negra. Em seu primeiro dia, o festival contou com o grupo Afrocidade, atento aos movimentos de rua e que trabalha em cima dos elementos do som da percussão. A cantora Majur, que trouxe o single “Africaniei”; a cantora revelação da Bahia, Nêssa; o rapper Yan Cloud; e o músico Mahal Pita abrilhantaram ainda mais a primeira noite do evento.

Destaque para o coletivo “Afrobapho”, grupo LGBTQIA+ e negro que traz o afrofuturismo no movimento da dança e utiliza de cenário locais que fazem parte do cotidiano perférico e popular da cidade de Salvador, como a conhecida Feira de São Joaquim, em seus trabalhos. O grupo disponibiliza suas produções audiovisuais através das redes sociais e também integrou a programação no primeiro dia de festival.

No segundo dia, teve mana no rap. É assim que o cantor baiano, Hiran, se autodeclara musicalmente. O rapper pisou na lua com uma projeção no chão de seu palco que simulava a chegada do cantor no universo. O show de Hiran foi resultado de uma parceria com a banda Attooxxa, grande nome da música baiana que ficou conhecida pelas suas parcerias com artistas como Psirico, Anitta e Cardi B. O grupo levou o melhor do pagodão baiano com beats eletrônicos e uma guitarra baiana inconfundível.

A festa seguiu com a apresentação de Larissa Luz. A cantora levou ao palco a força do orixá Iansã em um espetáculo que apresentou ao mundo o seu terceiro álbum de estúdio. O “Trovão”, como é chamado, foi quase todo cantado na apresentação do festival. Produzido musicalmente por Rafa Dias, que integra o Attooxxa, o disco pôde ganhar uma versão visual que inovou ao trazer elementos de luz e som que contribuíram para a estética afrofuturista na religião e ancestralidade. Carlinhos Brown também participou da apresentação e cantou a música “A Namorada” em novo arranjo mais metalizado em parceria com Larissa.

A noite finalizou com as apresentações de Trapfunk & Alívio, coletivo que mistura pagode baiano com 150bpm, o rapper Vírus e o Duo Bavi - Berimbau Aparelhado Violão Inventável, projeto dos músicos Anderson Petti e João Almy, que reúne berimbau, violão e aparelhagem eletrônica em um som único.

No domingo, o Afropunk Brasil abriu sua programação para uma roda de conversas nos painéis no “Solution Sessions”. O projeto integrou o evento como um espaço de troca de experiências, na tentativa de resolução de problemáticas que atingem a comunidade negra.

A ativista Monique Evelle, a digital influencer Magá Moura, o estilista Isaac Silva, o ator Sulivã Bispo e o jornalista Guilherme Soares Dias, do Guia Negro e do Alma Preta, foram alguns dos nomes que entraram para o time que trouxe para o debate temas como o futuro da comunidade negra como um todo, no turismo, na educação financeira e na influência pública. Os papos resultaram em mais de quatro horas de conversa que finalizaram a edição brasileira do festival.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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