fbpx
 

bannerlimpo

Em ação judicial, repórter e doutora em Ciências da Informação pede indenização de 50 mil reais; em live, presidente afirmou que Bianca Santa teria publicado uma notícia que, na realidade, a profissional nunca escreveu

Texto: Flávia Ribeiro | Edição: Nataly Simões | Imagem: Ricardo Moraes/Reuters

Após ser acusada de escrever notícias falsas, a jornalista Bianca Santana ingressou na Justiça com ação de indenização por danos morais contra o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido). O valor requisitado é de R$ 50 mil. Doutora em Ciências da Informação, Bianca foi citada em uma transmissão ao vivo feita pelo presidente no dia 28 de maio, onde Bolsonaro diz que ela teria publicado uma notícia que, na realidade, a profissional nunca escreveu.

“Tem uma tal de Bianca Santana aqui, uma blogueira, né? 'PT tem propaganda barrada pelo TSE, fake news', dizendo que era mentira. Na verdade, é que foi proibido, né, pelo TSE, uma campanha do Haddad, dizendo que Bolsonaro votou contra lei brasileira de inclusão de pessoas com deficiência. A minha esposa tem um trabalho nesse sentido. Qual o objetivo? Na teoria é uma coisa, na prática é outra. Fake news.”, falou o presidente.

Em entrevista recente ao Alma Preta, Bianca classificou como grave a acusação de Bolsonaro e disse nunca ter passado por situação semelhante. “Isso foi um dia depois do julgamento de não federalização do caso de Marielle e um dia antes disso, eu havia escrito sobre as relações da família dele com a milícia acusada de assassinar Marielle. Tenho escrito sobre isso com frequência”, comentou a jornalista.

Além de colunista de várias revistas e doutora em Ciências da Informação, Bianca Santana é integrante da Uneafro Brasil e colaborou com a articulação da Coalizão Negra Por Direitos. Agora, a jornalista se dedica à estruturação do Instituto de Referência Negra Peregum.

Ataques à imprensa

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) informou que Bolsonaro proferiu 179 ataques à imprensa somente no ano de 2020. Vinte e oito ocorrências de agressões diretas a jornalistas, duas ocorrências direcionadas à Fenaj e 149 tentativas de descredibilização da imprensa.

Já ao longo do ano de 2019, a imprensa brasileira sofreu quase 11 mil ataques diários pelas redes sociais, o que representa, em média, sete agressões por minuto. Segundo o Relatório sobre Violações à Liberdade de Expressão, divulgado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, em março de 2020.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

Apoie o Alma Preta e nos ajude a continuar contando todas essas histórias.

Vamos fazer jornalismo na raça!

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Contato

E-mail
jornalismoalmapreta(@)gmail.com