Cursinhos populares como Uneafro e Educafro marcaram presença entre os manifestantes com o objetivo de evidenciar as pautas mais delicadas à juventude negra

Texto e Imagens / Pedro Borges

Entrar na universidade e permanecer nela. Essas foram as principais bandeiras levantadas pela juventude negra durante as manifestações do dia 30 de maio, no Largo da Batata, em São Paulo (SP). A data movimentou atos em 22 estados do país, mais o Distrito Federal, somando 150 cidades em protesto contra o anúncio de corte na pasta da Educação de R$ 4,2 bilhões.

Durante a manifestação, havia presença de diversos jovens negros das periferias da cidade, que participavam do ato com o objetivo de criticar os cortes previstos pelo governo e defender a educação pública de qualidade para todos.

“Eu represento muitos jovens negros que querem um futuro, querem estar na faculdade. Não cortem da educação, porque essa via é muito importante para nós. O jovem negro na periferia tem pouca oportunidade e cortar a educação pode ser o fim do sonho desse jovem entrar na faculdade”, afirmou Tifany Viviane, atendente de telemarketing,

A possibilidade de revogação das cotas raciais foi colocada como uma ameaça ao caráter mais popular que o ensino superior ganhou com a adesão de ações afirmativas, como Prouni, Fies e as cotas raciais e sociais. No dia 4 de Abril, a deputada federal Dayane Pimentel (PSL) apresentou projeto de retirada das cotas raciais da legislação nacional.

“É o pé na bunda da juventude negra da universidade. Esse corte acaba com o direito, que é nosso, de usufruir desse espaço. Quem construiu as universidades no país foi o nosso povo e é direito nosso estudar lá”, estudante de letras da USP.

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Em 2019, a Universidade Federal da Bahia (UFBA), divulgou no site da própria instituição que 75,6% dos estudantes se autodeclaram pretos, pardos, ou indígenas e apontou isso como reflexo das ações afirmativas adotadas pela instituição há 15 anos.

Em contrapartida, a UFBA reconhece que apenas 27% dos alunos da instituição recebem algum apoio de permanência, como auxílio estudantil, e afirma repassar 100% dos valores orçados para a área, que totalizam R$ 32,4 milhões.

A possibilidade de redução de orçamento para políticas de permanência estudantil foi outro ponto crítico pelos manifestantes. Para eles, são esses jovens negros das periferias os mais necessitados desse tipo de direito.

“A maior parte da galera preta que está na universidade precisa de auxílio de permanência para continuar a estudar”, afirmou David Gabriel, integrante do coletivo Afronte, da sede em Suzano-SP. Para ele, a proposta de corte é mais uma medida para elitizar o ensino no país.

O governo recuou com a primeira proposta de retirar do Ministro da Educação (MEC) R$ 5,8 bilhões de reais depois das manifestações em defesa da pasta no dia 15 de Maio. Espera-se que novos recuos sejam previstos com as manifestações do dia 30 de Maio.

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