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Thelma é uma das participantes mais leais aos seus princípios do Big Brother Brasil; A médica e passista de escola de samba também nos faz recordar de outras mulheres negras da luta antirracista

Texto / Tatiana Nefertari I Imagem I Divulgação

Há quem acredite que Thelma é planta, outros, como o racista do Rodrigo Branco, que é coitadinha, ambas visões cobertas por uma invisibilidade do que Thelminha representa e pode representar para cada pessoa.

Mulher Preta, médica anestesiologista e passista de escola de samba, Thelma apresentou desde o início, ainda em seus VTs de entrada para o BBB, que é o que anunciou: uma mulher que corre atrás dos seus objetivos. No jogo tem sido sempre coerente e verdadeira, com posicionamentos firmes, mesmo que isso vá contra ou desagrade pessoas do seu próprio grupo.

Thelma, quando fala sobre sua experiência na sua escola de samba e como isso a aproximou das religiões de matrizes africanas, me lembra da militante do movimento negro Thereza Santos, que através de escolas de sambas se descobriu negra e realizou o seu trabalho de base.

Thelma, quando fala sobre como é ser uma mulher negra, me lembra de Lélia Gonzalez que escreveu diversas vezes sobre a nossa experiência nessa diáspora brasileira. Thelma, quando fala sobre Marielle Franco e ressalta a sua importância, me recorda que temos muita coisa pra enfrentar, e enfrentaremos.

Thelma, quando fala sobre sua trajetória na faculdade e como foi a única mulher negra da sala, me rememora a luta de nossos mais velhos do movimento negro por educação e por cotas nas universidades.

Thelma, quando diz proteger Babu - o único homem preto da casa, mesmo que não façam parte do mesmo grupo e que não fiquem o tempo todo juntos, me relembra da importância do quilombo, que como Beatriz Nascimento ensinou, significa "União".

Da mesma maneira, a trajetória dela no reality show me faz pensar sobre como o racismo é cruel e vai estar presente na nossas amizades, amizades que nos colocará para escanteio, amizades que fará piadas racistas conosco.

Me lembra que vamos chorar quando tudo isso acontecer e muitas das vezes não vamos reagir, vamos nos incomodar, e às vezes vamos tentar até sorrir.

Esse momento, em que Thelma está no paredão, também é a hora de quebrar o estereótipo de mulher negra forte e guerreira, que aguenta tudo e não precisa nunca de ajuda e apoio. Precisamos e muito.

Thelminha tem todo meu apoio. Acredito que isso seja parte da dororidade, que Vilma Piedade diz ser a cumplicidade entre as mulheres negras através de nossas dores em comuns, que apenas nos reconhecemos. Isso explica o motivo de muitas de nós ter saído tão rapidamente em defesa dela quando teve sua base de rosto chamada de barro. Ou quando foi colocada no monstro e se sentiu sozinha - conhecemos bem a solidão.

Mas também a reconheço pelo afeto. Quando vejo Thelma e todo seu amor pelo samba, é impossível não lembrar que foram as mulheres negras responsáveis pela sobrevivência dele. Como não amar e apoiar essas mulheres?

Thelma é uma mulher negra que faz com que a gente se veja nela em alguns momentos, em algumas situações, é por isso que ela representa tantas outras mulheres negras.

Seguiremos assistindo BBB e fortalecendo nosso quilombo.

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