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Texto: Caroline Amanda Lopes Borges / Imagem: Vinicius de Almeida

Para além dos dados nefastos que nós, Povo Negro, contabilizamos em relação à nossa saúde, temos tido pouco ou nenhum acesso qualificado, ou acompanhamento, voltado à sanidade da mente e do corpo. 

Nesse contexto, bem próximos da semana de mobilização pela saúde da população negra, um espaço de acolhimento e tratamento da saúde mental, gerido por mulheres negras, corre grande risco de fechar.

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É tempo de fortalecermos as iniciativas negras que vivificam e edificam! Nosso povo, que desenvolveu banzo, deve priorizar organizações e associações em que pessoas se dispõem a acolher diversas demandas negras, no campo da saúde mental e corporal.

Sabemos. Banzo (do quimbundo mbanza: "aldeia") é sintoma da mais profunda melancolia. Recorrente no período da escravidão, era provocado pela privação de liberdade, pela distância da terra natal e pela condição de diáspora forçada. 

Banzo também passou a significar ‘resistência dolorida’ — bem como, o aborto, o suicídio, as fugas coletivas e individuais, a construção de quilombos e mocambos. Perceba. Qualquer semelhança entre passado e presente não é mera coincidência!

A comunidade negra segue somatizando neuroses e frustrações, traduzidas em terríveis experiências de depressão: o antigo banzo. E a superação desse quadro — coletivo, transnacional — passa pelo fortalecimento de espaços autônomos, independentes e com uma afro perspectiva bem afirmada.

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Dentro desse cenário de morte, reivindicando o matriarcado africano, a AMAR – Associação de Mulheres de Ação e Reação – atua em diversas frentes de luta para o fortalecimento do Povo Negro. Um de seus projetos mais acessado, sobretudo, por mulheres e jovens é o projeto Psicopretas.

Tal iniciativa acolhe centenas de pacientes, mensalmente, e utiliza recursos de sabedoria ancestral para conduzi-las, caso a caso.

Através de florais, massoterapia, ozonoterpia, cromoterapia e uma infinidade de procederes naturais, além da psicanálise, as mulheres da Associação de Mulheres de Ação e Reação têm auxiliado no autoconhecimento e restabelecimento da sanidade de muitas famílias negras.

Infelizmente, a opção política pela autodeterminação, em meio a poucas condições financeiras dos usuários/pacientes do espaço, levou a AMAR e o Psicopretas a enfrentarem um grave quadro financeiro.

Assim, para que prossigam de forma autônoma e autossustentável, criamos a campanha #AMAR EU SOMO! pois reconhecemos os projetos e as iniciativas dessa instituição como pilares que asseguram, cotidianamente, a sanidade de muitos de nós. Além de ser um espaço seguro e preto, um verdadeiro quilombo!

Para além dos dados nefastos que nós, Povo Negro, contabilizamos em relação à nossa saúde, temos tido pouco ou nenhum acesso qualificado, ou acompanhamento, voltado à sanidade da mente e do corpo.

Nesse contexto, bem próximos da semana de mobilização pela saúde da população negra, um espaço de acolhimento e tratamento da saúde mental, gerido por mulheres negras, corre grande risco de fechar.

É tempo de fortalecermos as iniciativas negras que vivificam e edificam! Nosso povo, que desenvolveu banzo, deve priorizar organizações e associações em que pessoas se dispõem a acolher diversas demandas negras, no campo da saúde mental e corporal.

Sabemos. Banzo (do quimbundo mbanza: "aldeia") é sintoma da mais profunda melancolia. Recorrente no período da escravidão, era provocado pela privação de liberdade, pela distância da terra natal e pela condição de diáspora forçada.

Banzo também passou a significar ‘resistência dolorida’ — bem como, o aborto, o suicídio, as fugas coletivas e individuais, a construção de quilombos e mocambos. Perceba. Qualquer semelhança entre passado e presente não é mera coincidência!

A comunidade negra segue somatizando neuroses e frustrações, traduzidas em terríveis experiências de depressão: o antigo banzo. E a superação desse quadro — coletivo, transnacional — passa pelo fortalecimento de espaços autônomos, independentes e com uma afro perspectiva bem afirmada.

Dentro desse cenário de morte, reivindicando o matriarcado africano, a AMAR – Associação de Mulheres de Ação e Reação – atua em diversas frentes de luta para o fortalecimento do Povo Negro. Um de seus projetos mais acessado, sobretudo, por mulheres e jovens é o projeto Psicopretas.

Tal iniciativa acolhe centenas de pacientes, mensalmente, e utiliza recursos de sabedoria ancestral para conduzi-las, caso a caso.

Através de florais, massoterapia, ozonoterpia, cromoterapia e uma infinidade de procederes naturais, além da psicanálise, as mulheres da Associação de Mulheres de Ação e Reação têm auxiliado no autoconhecimento e restabelecimento da sanidade de muitas famílias negras.

Infelizmente, a opção política pela autodeterminação, em meio a poucas condições financeiras dos usuários/pacientes do espaço, levou a AMAR e o Psicopretas a enfrentarem um grave quadro financeiro.

Assim, para que prossigam de forma autônoma e autossustentável, criamos a campanha #AMAR EU SOMO! pois reconhecemos os projetos e as iniciativas dessa instituição como pilares que asseguram, cotidianamente, a sanidade de muitos de nós. Além de ser um espaço seguro e preto, um verdadeiro quilombo!

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

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