O político é articulador nacional do Movimento Funk e integrante do Movimento Nós, grupos que investem em candidatos com agendas voltadas para as desigualdades

Texto / Beatriz Mazzei
Foto / Facebook (pessoal)

Ver o jovem em espaços de destaque dentro da política ainda é um desafio a ser trilhado no Brasil, onde cerca de 90% dos deputados federais estão na faixa dos 55 anos, e a média de idade dos senadores é de 58 anos. Sabendo dessa carência da representatividade e força jovem nos espaços de poder, principalmente na periferia, Bruno Ramos (31) decidiu “hackear a política”, tornando-se candidato a deputado federal por São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores (PT) nessas eleições.

Nascido e criado no Brás, na Zona Leste do estado, Bruno é um dos cinco filhos de uma diarista que o inspira de forma pessoal. "Minha mãe é uma mulher muito simples, muito amorosa e cuidadosa com a educação dos filhos. A gente não teve condição de uma educação acadêmica, mas fomos muito bem educados”, conta Bruno, que hoje cursa Sociologia e Política. Além disso, ele é articulador nacional do Movimento Funk, ex-vice-presidente da Liga do Funk e integrante do Conselho Nacional da Juventude.

Comunicativo, Bruno fala de maneira clara e com simplicidade, além de sempre usar o plural. Isso é tentativa de fazer com que o discurso ecoe a voz de muitos outros. “Não sou pré-candidato de mim mesmo, mas desse povo das periferias, dos coletivos, das comunidades, da juventude, dos negros e das negras e dos pobres.”, coloca em sua carta-manifesto da pré-candidatura.

Vida política

Sempre associado ao ativismo do funk, Bruno articulou uma vida como militante sem viabilizar a questão política, mas acabou se interessando pela área por reconhecer a importância desses espaços, disseminando seus valores de forma prática e rompendo com a branquitude o elitismo estabelecido pelo cenário atual, que carece de representatividade.

Tendo como grande inspiração política o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) por sua caminhada de retirante nordestino à presidente do Brasil, o candidato também cita Carlos Marighella, Nelson Mandela e grandes líderes da luta antirracista.

"Minha construção política até chegar aonde eu cheguei, se deu muito pelo pé na porta, dedo na cara... Já fui muito Malcon X! Hoje eu me vejo mais pacífico, estratégico, com um espírito mais Marthin Luther King”, conta.

O lançamento da pré-candidatura de Bruno, que aconteceu no dia 28 de junho próximo do Metrô da Luz, foi um evento em clima de festividade. Na ocasião, o candidato recebeu funkeiros e funkeiras de São Paulo, além da madrinha da pré-candidatura Juliana Borges e o político Eduardo Suplicy.

O funk e a cultura periférica

Quando o assunto é acesso à cultura na periferia, Bruno relata que milhões de jovens de todo o país integram movimentos associados ao funk, que é uma referência cultural de inclusão para as periferias de São Paulo. É por essas questões que o candidato defende a importância de combater a criminalização do funk que, segundo ele, é perseguido assim como outras expressões populares e periféricas, associadas ao povo negro ao longo da história.

“Foi assim com o samba e foi assim com o rap. Até o jazz, que hoje é tipo música clássica, já foi chamado de som de bandido. E a bola da vez é o funk". Sobre a violência contra a juventude negra, o texto diz que é “preciso garantir a sobrevivência do nosso povo”, destaca Bruno. 

Além de defender a legitimidade do funk, o candidato sabe da importância de políticas públicas para o lazer do jovem. “Os fluxos de rua e os pancadões não acontecem por conta do movimento funk e sim por ausência de políticas públicas que faz com que o jovem não tenha acesso à ocupação do espaço público de forma adequada”, conclui.

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