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UNESCO lança nota apresentando os desafios para a manutenção desse patrimônio; eventos em comemoração à data ocorrem em pelo menos 12 países africanos.

Texto e Edição de Imagem / Solon Neto
Fotos / George Steinmetz


A diretora geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a búlgara Irina Bokova, divulgou uma nota no site oficial da entidade lembrando a vasta contribuição do continente para a humanidade, que além de inventar o próprio conceito de humanidade, tem contribuições diversas para o conhecimento.

A data será comemorada com eventos simultâneos em Angola, Botsuana, Tanzânia, República Democrática do Congo, Etiópia, Madagascar, Mali, Nigéria, Ruanda, Senegal e Zâmbia, além de outros países dentro e fora do continente. O foco dos eventos, além da data, está no envolvimento da juventude, da participação feminina e das comunidades locais. O evento principal acontecerá em Burkina Faso, e contará com a presença de altas representações da UNESO e do governo local, além do desenvolvimento de um fórum da juventude.

O Patrimônio Mundal Africano consiste em culturas, valores, saberes e memórias no âmbito imaterial, além de construções, parques e cidades de valor histórico material para o povo africano e a humanidade.

Apesar disso, a UNESCO chama a atenção para a sub-representação do continente na lista do Patrimônio Mundial que tem apenas 131 áreas africanas listadas, o que representa 12% do total. A situação se inverte em relação à lista de Patrimônio Mundial sob risco, em que 42% das áreas são de países africanos.

Irina Bokova lembrou em sua nota de áreas como a Cidade Antiga de Ghadamès, o Parque Nacional de Kahuzi-Biega e a Reserva Natural Integral do Monte Nimba, que segundo a entidade, correm o risco de desaparecer.

Entre os riscos apontados a esse patrimônio estão conflitos armados, terrorismo, tráfico, aquecimento global, desastres naturais, expansão urbana sem controle, turismo sem regulação, além da exploração de minérios e petróleo.

Vista aérea da Cidade Antiga de Gadamés, na Líbia. A cidade também é conhecida como "A Pérola do Deserto"(Foto: George Steinmetz)

A nota da UNESCO também chama atenção para a necessidade de proteção do patrimônio cultural africano através das comunidades locais e da juventude do continente. Esse patrimônio só faz sentido com a integração e a preservação alcançada com a garantia dos direitos dessas comunidades. A UNESCO se compromete a garantir a promoção de valores de compreensão, tolerância e respeito entre culturas, e trabalha na África através das universidades e programas de formação.

A nota termina lembrando a necessidade de proteção do patrimônio africano para a garantia da memória da humanidade, da formação dos primeiros valores e referências humanas. A chamada "Renascença Africana", para a entidade, está ligada à preservação do Patrimônio Mundial Africano.

A data de 05 de maio foi escolhida através da 38ª Conferência Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), de 2015. A resolução foi sancionada em lembrança ao 10º aniversário do AWHF, o "Fundo para o Patrimônio Mundial Africano", criado em 2006.

Essa resolução está de acordo com a programa da UNESCO de Prioridade da África, e cria a data para incentivar o interesse internacional com o patrimônio material e imaterial do continente. É uma medida alinhada à Convenção do Patrimônio Mundial, que estabelece obrigações aos estados membros da UNESCO para com a identificação e a preservação de seus patrimônios.

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