A passagem do ciclone Idai pela costa sudeste da África, atingiu Moçambique, Zimbábue e Malawi, deixando milhares de pessoas desabrigadas e centenas de mortos

Texto / Solon Neto
Imagem / Unicef / WFP

Em Moçambique ao menos 15 mil pessoas seguem isoladas em diversas regiões, presas em telhados e em copas de árvores. As equipes de resgate estão jogando biscoitos de alto teor calórico além de tabletes de purificação de água para as pessoas no telhados, que estão sendo resgatadas aos poucos.

No distrito de Buzi, um oceano de lama foi criado pelas inundações, chegando a 11 metros de profundidade em 125 quilômetros de extensão. Cerca de 200 mil pessoas vivem no local.

O número de mortos confirmados passa de 242 no país. O presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, chegou a declarar, no entanto, que o número de mortos pode passar de mil.

A estimativa é que 400 mil pessoas estejam desabrigadas e que 11,548 mil casas tenham sido destruídas.

Na região do distrito de Sussundenga, em Moçambique, próximo da fronteira com o Zimbábue, plantações inteiras foram destruídas. Com a dependência da agricultura de subsistência, um ano de alimentos foram perdidos para muitas famílias da região.

Cerca de 65 mil moçambicanos desabrigados foram levados para centros de refugiados, porém 30% desses centros não teriam comida o suficiente para mantê-los.

As autoridades do país falam em uma “luta contra o tempo” para conseguir resgatar as pessoas que seguem presas em locais isolados.

No Zimbábue, a emissora local ZBC divulgou um número de 139 mortos na quarta-feira (21), sendo que agências da ONU afirmam que 200 mil pessoas estão desabrigadas no país. Já no Malawi, 56 mortes foram confirmadas e 82 mil pessoas estão desabrigadas.

Os três países enfrentam escassez de água, alimentos e combustível e seguem contando com a ajuda humanitária internacional para lidar com a tragédia. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que inclui o Brasil, anunciou a criação de um fundo especial de apoio às vítimas do ciclone Idai, em Moçambique.

A Organização das Nações Unidas (ONU) acredita que essa tenha sido a maior tragédia da história do hemisfério sul relacionada ao clima. Para a organização , a situação é de "grande complexidade" e exige uma resposta à altura.

*Com informações da ONU e da Al-Jazeera.

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