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País é o segundo com mais casos da doença em todo o continente africano, atrás apenas da África do Sul

Texto / Solon Neto | Edição / Simone Freire | Imagem / Reprodução / Experience Egypt

A possibilidade de visitar locais históricos egípcios, como tumbas suntuosas de faraós e sítios arqueológicos, sem sair de casa, tornou-se realidade no Egito devido à pandemia do Covid-19, o novo coronavírus.

A iniciativa é parte do esforço para conter o vírus através de uma campanha do Ministério de Turismo e Antiguidades do país, disponibilizando passeios virtuais para incentivar as pessoas a permanecerem em suas casas. As possibilidades são diversas e envolvem mesquitas, sinagogas, monastérios, ruínas romanas e necrópoles, entre outros.

Um dos passeios disponibilizados, por exemplo, é pela tumba de Faraó Ramsés VI. 

Uma outra possibilidade é o tour pelo sítio arqueológico de Beni Hasan, um cemitério do Egito Antigo.

O primeiro caso de Covid-19 da África

O Egito foi o primeiro país africano a registrar um caso de Covid-19, o que ocorreu em 14 de fevereiro deste ano. A primeira morte causada pela doença veio no mês seguinte, em 8 de março. De lá para cá, a situação se agravou.

Se diante da Europa e Estados Unidos, os números da pandemia no Egito não são os maiores, em relação ao resto da África a situação não é animadora. Segundo os números do Centro de Controle de Prevenção de Doenças da União Africana (CDC), o Egito tem hoje 2.350 casos confirmados da doença e 178 mortos.

Esse quadro faz do Egito o segundo país com mais casos da doença em todo o continente, atrás apenas da África do Sul, que tem 2.415 casos. A situação é parecida no caso do número de mortes, que também colocam o Egito em segundo lugar na África, atrás apenas da Argélia, que teve 326 óbitos.

O combate à pandemia

Não há apenas passeios virtuais entre as medidas para combater à pandemia no Egito. Desde o dia 25 de março, o país vive sob regime de toque de recolher e seus cidadãos são obrigados a permanecerem em casa entre 20h e 6h. O comércio também foi parcialmente fechado e está impedido de funcionar aos finais de semana e entre 17h e 6h durante em dias úteis.

O período de toque de recolher implica no fechamento do transporte público e privado. Apenas serviços essenciais permanecem abertos, como padarias e farmácias. Restaurantes só podem funcionar por meio de serviço de entregas.

Além disso, o governo liberou em março cerca de US$ 6,4 bilhões para combater a pandemia e anunciou um plano de suporte financeiro para trabalhadores informais e famílias de baixa renda. Escolas e universidades permanecem fechadas no país e houve redução de funcionários em empresas estatais. O toque de recolher não se aplica a jornalistas e trabalhadores da saúde, como enfermeiros e médicos.

Desde o dia 21 de março também estão suspensas as orações em mesquitas às sextas-feiras, um dos mais importantes rituais do islamismo. Cerca de 90% da população egípcia é muçulmana.

Um dos setores mais afetados no país é justamente o do turismo, que emprega milhões de pessoas no Egito e é responsável por 11,9% do PIB do Egito, segundo números do Conselho Mundial de Turismo e Viagens (WTTC, na sigla em inglês) referentes ao ano de 2018. Cerca de 200 mil pessoas perderam seus empregos no setor desde o início da pandemia no país. Diversos hotéis, empresas, restaurantes e cafés da região do Mar Vermelho simplesmente fecharam as portas.

O site Egypt Independent aponta que há estimativas de perda de até 400 mil turistas no período, o que equivale a US$ 1 bilhão por mês para a economia do país. Um cenário que tende a se manter em baixa até a descoberta de uma vacina para a Covid-19.

Número de casos pode ser ainda maior

Há quem duvide dos números apontados pelo governo egípcio. Uma reportagem do jornal britânico The Guardian trouxe um estudo da Universidade de Toronto que estimava - em 15 de março - que o Egito teria pelo menos 19 mil casos da doença.

As dúvidas que pairam sobre o governo não são apenas nessa área. O presidente Abdel Fattah el-Sisi é visto com desconfiança por observadores mundo afora, sendo considerado um líder autoritário.

Nesse contexto, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) emitiu nota no início de abril apontando preocupações com medidas de controle do governo egípcio tomadas sob o pretexto de conter falsas informações sobre a pandemia.

A nota explica que por decisão do Conselho Supremo de Regulação da Mídia do país, o principal órgão de regulação da mídia no Egito, dezenas de sites e contas em mídias sociais teriam tido o acesso limitado ou bloqueado. Ainda segundo a nota, um canal de televisão chegou a ser ameaçado por reportar falta de medicamentos no país.

Após a publicação da reportagem do The Guardian citada neste texto, a repórter responsável foi expulsa do Egito e as autoridades do país ameaçaram fechar o escritório do jornal britânico no país. A RSF considera o Egito um dos locais com pior situação para a liberdade de imprensa no mundo, com diversas prisões de jornalistas relatadas.

O Egito é um dos países mais populosos da África, com 98 milhões de habitantes. Apenas na região metropolitana do Cairo há cerca de 20 milhões de pessoas. O país é também um importante parceiro comercial do Brasil no continente africano e um proeminente ator político tanto na região quanto no Oriente Médio.

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