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A disseminação do vírus entre a população pobre é um grande risco no país mais populoso do continente africano

Texto / Beatriz Mazzei* | Edição / Simone Freire | Imagem / The News

Em sua coluna “Cartas da África” para a BBC News, a jornalista e escritora nigeriana Adaobi Tricia Nwaubani reflete sobre o perigo da disseminação do coronavírus no país mais habitado do continente africano. “A potência do desastre é inimaginável”, ressalta.

Com cerca de 200 milhões de habitantes, 50% da população vive em extrema pobreza, 70% não possui boas condições de higiene como água potável e saneamento básico, e 69% dos que moram nas regiões urbanas vivem em favelas.
Com 981 casos confirmados e 31 mortes ao todo até esta sexta-feira (24), os primeiros casos do novo coronavírus chegaram ao país majoritariamente por pessoas que retornaram ou tiveram contato com quem esteve em viagens internacionais. Uma das vítimas fatais foi Mallam Abba Kyari, o assessor do presidente nigeriano Muhammadu Buhari, que faleceu aos 71 anos após quase um mês de tratamento contra a doença.

Além do assessor político, a lista de infectados inclui o já recuperado Nasir El-Rufai, governador do estado de Kaduna, no centro-norte do país. “Eu agradeço Allah por toda a sua graça e misericórdia. Minha família não só passou pelo trauma de potencialmente perder um membro da família, mas também o risco de se infectarem. Como sempre, toda a família me apoiou, enquanto muitos amigos e colegas de todo o mundo me mandaram orações e boas vibrações”, disse Nasir em sua conta do twitter.

Nesse cenário, Adaobi Tricia reflete em sua coluna sobre o perigo para o país caso o vírus passe para outras camadas da população. “Distanciamento e isolamento social em uma favela nigeriana é impossível. É comum que cerca de 30 famílias se apertem em um prédio, dividindo o mesmo banheiro e vaso sanitário”, conta a jornalista.

“Enquanto a quarentema causa muito inconveniente e dificuldades para todos os nigerianos, especialmente os pobres, ela ajuda a manter a vasta disparidade que existe na sociedade e, assim, prevenir que os que estão no topo transmitam o vírus para os que estão na base. É comum que a desigualdade nigeriana seja criticada, e de ser de fato, mas a disseminação do Covid-19 é uma área em que a nação não consegue arcar com a igualdade”, disse.

Abaobi Tricia Nwaubani

Abaobi é romancista, jornalista e ensaísta de Abuja, capital da Nigéria. Seu romance “I Do Not Come To You by Chance” ganhou prêmios literários, além se ser nomeado pelo Washington Post como um dos livros do ano de 2010.

Já o segundo livro, “Buried Beneath the Baobab Tree” ganhou reconhecimento pela narrativa baseada em entrevistas com mulheres e meninas que foram sequestradas pelo grupo terrorista Boko Haram. Ela também foi produtora local para o documentário da HBO “Stolen Daughters: Kidnapped by Boko Haram”.

Como jornalista, ela se foca nas questões humanitárias com publicações no The New Yorker, The New York Times, The Guardian, além da coluna mensal “Cartas da África” para a BBC.

*Com informações de BBC News, The Punch, Afro OMS e The Guardian.

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