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O presidente Cyril Ramaphosa já apresentou a emenda constitucional, cujo objetivo é expropriar terras de famílias descendentes de colonos holandeses

Texto / Anna Laura Moura
Foto /
ONE /Morgana Wingard

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, pronunciou em rede nacional que implementará a reforma agrária no país, segundo a agência Reuters. Essa medida havia sido prometida pelo mandatário logo ao assumir a presidência do país, em fevereiro deste ano.

O objetivo da iniciativa é aprovar uma emenda à Constituição, que permita a distribuição de terra para os agricultores negros do país- esse grupo havia mostrado descontentamento com a demora para acontecer a reforma. O presidente já tem o apoio de seu partido, o CNA (Congresso Nacional Africano). Na proposta, os agricultores brancos e descendentes de famílias holandesas há mais de 400 anos terão suas propriedades retiradas.

Reforma Agrária e Nelson Mandela

A atitude de Ramaphosa não é inédita: em 1994, Nelson Mandela já havia prometido que 30% das fazendas e terras cultiváveis pertenceriam aos agricultores negros até o ano 2000.

Ainda assim, 18 anos após o prazo estabelecido de Mandela, os negros são proprietários de apenas 10% das terras sul-africanas, representando somente 1/3 da meta. Isso acontece em decorrência do Apartheid, período no qual os negros não tinham autorização para possuir bens. A medida concentrou todas as riquezas nas mãos dos produtores brancos.

O outro lado

Como era de se esperar, os agricultores brancos não receberam bem a notícia, principalmente porque a proposta do presidente não prevê nenhum tipo de recurso ou compensação. Eles acreditam que a distribuição das propriedades entre os negros iniciará processo de grilagem de terras no país. Segundo os descendentes dos holandeses, a produção agrária do país também poderá decair, gerando fome e miséria. Além disso, esse grupo acredita que negros não têm o devido conhecimento para cuidar da terra.

Em virtude da tensão estabelecida entre governo e produtores rurais, países como Rússia e Austrália já afirmaram que irão conceder vistos de emergência para os fazendeiros brancos que não desejarem ficar na África do Sul.

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