O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Além de produzir conteúdo, nossa agência oferece serviços especializados de assessoria de imprensa, design e programação.  Também contamos com um sistema de contribuições para nossos assinantes e uma loja virtual como formas de garantir um jornalismo independente e de qualidade

O Brasil é um país racista. Suas estruturas sociais estão postas para a manutenção das desigualdades raciais. Da mesma forma, no imaginário da população a pele escura é estigmatizada, fato explícito nas relações inter-pessoais. A tentativa histórica de negação às tensões entre pretos, pardos, índios e brancos é evidente, sobretudo, nos meios de comunicação: falta de representatividade, protagonismo e abordagem das pautas negras na mídia tradicional brasileira. Os veículos conservadores negam o racismo e as temáticas inerentes aos negros no Brasil.


O último Censo do IBGE em 2010 aponta que a população brasileira é composta por 52,7% de afrodescendentes. Entretanto, a presença de negros e pardos na produção jornalística soma apenas 22% do total de profissionais.

É notável a baixa diversidade étnica e cultural na constituição midiática brasileira. Esse processo fortalece a estereotipação das negras e negros brasileiros nos veículos de comunicação. Assim, a identidade negra não pode construir-se plenamente no espaço social. Pelo contrário, enfrenta dificuldades de aceitação e passa pela rejeição na esfera pública.

A disputa de poder simbólico na superestrutura é mediada cada vez mais pelos meios de comunicação. Diante das igualdades raciais, sobretudo a partir da presença negra na mídia, é vital discutir para desmistificar a democracia racial e expor os conflitos étnico-raciais no Brasil.

Visto que o jornalismo tem papel fundamental na manutenção da sociedade democrática e na construção da diversidade cultural, torna-se necessário uma imprensa capaz de agregar diferentes olhares e pontos de vista sobre a realidade.

Historicamente, estima-se que a diáspora africana trouxe para o Brasil mais de quatro milhões de pessoas para o trabalho escravo. Foram mais de 350 anos de escravatura até 1888, ano da abolição. Não houve iniciativas para a inclusão do negro liberto na sociedade brasileira. No mesmo período, o Estado configurou-se de forma racista, ao buscar a eliminação do negro e a estigmatização da sua cultura através de processos de branqueamento vivos até hoje. Como consequência, minou-se a negritude e a autoafirmação da população afrobrasileira.

Em outros níveis, a presença negra em postos de poder é numericamente inferior, não apenas nos meios de comunicação. A população afrodescendente tem acesso negado aos cargos de poder. Dos 39 ministérios do país, há apenas uma figura negra: a ministra Nilma Lino Gomes. Entre os 27 governadores, nenhum é negro.

Soma-se a esse contexto a desvantagem econômica da população negra. De acordo com o IBGE, o salário dos negros e das negras no país corresponde a 57,4% do rendimento dos brancos.

Em outros níveis, a violência atinge a vida dos afrobrasileiros. O Mapa da Violência aponta que em 2012, para cada jovem branco assassinado, foram mortos 2,5 jovens negros.

Após o fim da escravidão no Brasil, a luta dos movimentos negros brasileiros encontraram dificuldades em se estabelecer. Apenas nos breves períodos democráticos do país após 1888, conseguiu-se mobilização para ampliar o debate racial. Para denunciar e avançar na desconstrução do racismo institucional brasileiro, iremos dispor de algumas ferramentas textuais e jornalísticas: entrevistas, reportagens, crônicas, poesias, produções audiovisuais, fotos, charges, quadrinhos, resenhas e artigos opinativos. O Alma Preta não está sozinho. Construiremos uma rede de colaboradores em contato com outros veículos de imprensa negra e de mídia independente do século XXI.

Diante da realidade pós-industrial do jornalismo, buscamos um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos. Em nosso site, iremos expor a temática racial por meio de quatro viéses: Realidade, Da Ponte Pra Cá, Mama África e O Quilombo.

Em Realidade, iremos trazer a discussão do racismo na política, economia, cultura e esporte. Na seção Da Ponte Pra Cá, abordaremos a visão da periferia em pontos centrais, como encarceramento em massa e genocídio da população negra. Mama África conterá notícias do continente africano de forma que exponha a complexidade de temas e sua rica diversidade. Por fim, O Quilombo será o espaço da rede de opiniões de nossos colaboradores.

A existência de um veículo de imprensa negra e livre expõe a contradição da narrativa do cotidiano, impregnada de um discurso que exclui ou deturpa a identidade do negro. O Brasil é um país formado desde sua gênese por negros (pretos e pardos). Sua imprensa, no entanto, é marjoritariamente branca e de constituição racista. A imprensa brasileira de amplo alcance sempre foi controlada pela elite, e representa seu discurso, bandeiras e projeto de Brasil. Uma visão distorcida pelo racismo, pelo machismo e pelo classismo.

Expôr esta contradição é papel ético da imprensa. Desmontar essa narrativa é missão do Alma Preta. Reconstruir a identidade negra é um valor compartilhado pela negritude brasileira. Apontar um projeto inclusivo e abrangente de nação sempre foi compromisso da mídia negra.

A irradiante aurora da imprensa negra é efeito colateral do sistema brasileiro. Temos as mãos que construíram a nação, temos as bocas que não se calaram diante do silenciamento. As mesmas mãos agora reescrevem nossa história. As mesmas bocas agora gritam a liberdade! Não somos objeto, não precisamos que falem de nós. Somos o sujeito de nossa própria história.

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Onde Estamos

Endereços e Contatos
18-80. Jd Nasralla - Cep: 17012-140
Bauru - São Paulo
contato(@)almapreta.com

Mais Lidos

Cron Job Iniciado