Gabriel dos Santos foi preso durante apresentação da banda inglesa por supostamente atrapalhar a visão de outros fãs. A vítima diz que outras pessoas na mesma situação que a dele não foram abordadas pelos policiais.

Texto / Amauri Eugênio Jr.
Foto / Amauri Eugênio Jr.

O educador físico Gabriel dos Santos, de 27 anos, assistia à apresentação da banda inglesa Coldplay, realizada na terça feira, 07/11, no Allianz Parque, em São Paulo-SP, quando começou a ouvir reclamações de alguns espectadores de que ele estaria atrapalhando o show.

Gabriel, assim como as demais pessoas, estava em pé enquanto conferia o espetáculo. O público atrás do jovem, na cadeira superior do estádio, passou a reclamar que ele estava atrapalhando a visão do show.

O resultado? Gabriel foi convidado a se retirar do lugar, determinação que ele não acatou. A negação do jovem motivou os polociais militares presentes a algemá-lo e leva-lo ao ponto de atendimento da corporação no local.

De acordo com Gabriel, ele teve lesões nos punhos, braços e na perna direita, sem contar que sua bermuda foi rasgada como consequência da ação dos PMs. Ainda assim, o boletim de ocorrência feito sobre o caso descreve que os profissionais “fizeram uso moderado de força para contê-lo”, enquanto sua bermuda “acabou enroscando em algo e rasgando”.

Além disso, o delegado que acompanhou o caso após a chegada de Gabriel à 1ª Delegacia Especializada em Atendimento ao Turista relatou no Boletim de Ocorrência (B.O) que o jovem, quem assinou um termo circunstanciado por desacato à autoridade, estava “extremamente agressivo”.

Reação em cadeia

O episódio foi denunciado em uma publicação no Facebook, que teve 13,7 mil reações, 3,2 mil comentários e 9,5 mil compartilhamentos até a publicação da reportagem.

Gabriel optou por não se pronunciar por ora e somente o fará após as imagens da abordagem serem divulgadas.
De acordo com Helena Vasconcellos, advogada de Gabriel e autora da publicação que denunciou a ação da PM, o episódio se trata de um caso de racismo.

“De todas as pessoas que estavam naquela situação, a única que foi expulsa e presa foi ele. Com certeza, a abordagem teria sido outra se ele fosse branco. Ele pagou pelo ingresso do mesmo modo que todo mundo que estava no show, mas foi tratado como alguém que estava em um lugar onde não pertencia. Isso não pode ficar impune”.

O caso foi denunciado às corregedorias das polícias Militar e Civil.

Em resposta à reportagem, a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública relatou que as corregedorias da PM e da Polícia Civil instauraram procedimento administrativo para apuração das circunstâncias do fato.

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