Texto: Pedro Borges / Fotos: Pedro Borges / Edição de imagens: Solon Neto

Homenagem é destinada a pessoas que se destacaram no combate ao racismo em 2015

No dia 25/11, quarta-feira, na Praça da Sé, São Paulo, a Comissão da Igualdade Racial e o Departamento de Cultura e Eventos da Ordem dos Advogados do Brasil, OAB-SP, promoveu a entrega do prêmio Benedicto Galvão. Essa foi a quarta edição do prêmio, o primeiro instituído pela seccional da cidade a ressaltar a comunidade negra.

Dra. Carmen Ferreira, Presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-SP, ressalta a importância da cerimônia para o combate ao racismo, assim como o seu papel de exaltar a figura de Benedicto Galvão. “Homenagear Benedicto Galvão é reviver a memória dele e a nossa vivência positiva, porque os nossos heróis negros não são reverenciados. Fazer essa homenagem é um incentivo, principalmente para a nossa força jovem, para que eles se espelhem e pensem: é possível”.

O Prêmio faz referência a Benedicto Galvão, que entre os anos de 1940 e 1941, tornou-se o primeiro presidente negro da OAB-SP. Mesmo depois de uma infância pobre no interior do estado, o então jovem estudante conseguiu-se formar na Faculdade de Direito de São Paulo, em 1907.

Deise Benedito, militante histórica do movimento negro e dos direitos humanos, com foco no debate sobre juventude e sistema prisional, foi uma das vencedoras do prêmio e enfatiza a importância da conquista para toda a coletividade e a comunidade negra. “Para mim é importante, porque eu não recebo por mim. Eu recebo esse prêmio em memória dos meus ancestrais, dos jovens que tombam, como nesse momento. Não é meu, é deles. Eu só fiz o que vou continuar a fazer, defender os direitos humanos”. Deise recebeu outras premiações de destaque, como a medalha Zumbi dos Palmares em Campinas e menção honrosa do Conselho da Comunidade Negra de São Paulo.

Para Douglas Belchior, educador da UneAfro e também vencedor do prêmio, é uma enorme satisfação receber essa conquista em nome da Uneafro, porque a organização é “uma experiencia prática de educação popular e ação comunitária como forma de enfrentar o racismo estrutural. Assim como os saraus, as posses de hip hop, as bibliotecas comunitárias, o papel dos cursinhos é a do empoderamento dos sujeitos periféricos e sobretudo do resgate da identidade negra e subversiva”. Durante a cerimônia, ele relembrou a importância do enfrentamento ao genocídio da população negra, assim como a luta protagonizada pela juventude negra por uma educação de qualidade.

Douglas e a Uneafro receberam outras premiações recentes. Em 18 de agosto de 2014, por meio de votação popular, Douglas foi escolhido como vencedor do Prêmio Virada Sustentável. No dia 1 de dezembro do mesmo ano, a partir de iniciativa de Netinho de Paula (PCdoB), em parceria da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SMPIR-SP), o título Memória Negra de São Paulo também agraciou o militante da Educafro. Neste ano, no dia 13 de agosto, o Prêmio Nacional de Direitos Humanos também condecorou o membro da Uneafro enquanto liderança da juventude negra.

A escolhida pelos homenageados como oradora do grupo, Maria Aparecido Pinto, conhecida como Cidinha, integrante das Promotoras Legais Populares, e também vencedora de outras 10 premiações, acredita que o prêmio recupera a memória negra ao homenagear Benedicto Galvão e serve como incentivo para a juventude. “Ele resgata a dignidade de negros e negras e diz para os jovens ‘batalha, vai atrás, você vai chegar lá, você vai ser um vencedor’”. Em sua exposição, Cidinha fez questão de exaltar a luta contra o genocídio da juventude negra e pelo fim do racismo.

 

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