Ricardo Augusto Araújo, novo comandante da ROTA, tropa de elite da PM de São Paulo, disse em entrevista ao UOL, que a corporação deve abordar as pessoas nos Jardins, bairro nobre da cidade, e nas periferias de maneiras distintas.

Texto / Pedro
Imagem / Marcio Komesu/UOL

Entidades do movimento negro organizam no sábado, das 14h às 19h, na Praça Roosevelt, Centro, ato pela saída do novo comandante da ROTA, Ricardo Augusto Júnior, e contra o crescimento do fascismo no Brasil e no mundo.

Os articuladores do protesto chamam atenção para o fortalecimento de expressões públicas de ódio racial, como o que aconteceu em Charlottesville, EUA, quando grupos de supremacia branca foram às ruas demonstrar posicionamentos de cunho racista, LGBTfóbico e xenófobo.

Em meio a esse ambiente, de acirramento das relações sociais e raciais, a Frente Alternativa Preta, rede que articula diferentes entidades do movimento negro e organiza o ato de sábado, pede a saída do novo comandante da ROTA, tropa de elite da polícia militar de São Paulo, Ricardo Augusto Araújo, por conta da sua recente entrevista ao UOL.

Faixa para textos BAP

Ricardo, responsável por orquestrar a nova ação da polícia militar, de colocar nas ruas de São Paulo em momentos específicos todo o efetivo da ROTA, de 700 homens, explicou ao UOL as peculiaridades da abordagem em cada território.

"É uma outra realidade. São pessoas diferentes que transitam por lá. A forma dele abordar tem que ser diferente. Se ele [policial] for abordar uma pessoa [na periferia], da mesma forma que ele for abordar uma pessoa aqui nos Jardins, ele vai ter dificuldade. Ele não vai ser respeitado."

Em nota, os manifestantes afirmam que as colocações do comandante da ROTA representam uma maior repressão à comunidade negra e periférica.

“Mais Rota na rua, sobretudo nas periferias, para reprimir, prender e matar negros. Não vamos tolerar! Assim, conclamamos à reação todos aqueles que, independentemente de sua etnia ou credo, não toleram essas ideias racistas, LGBTfóbicas e misóginas que representam o que há de pior nos humanos”.

Douglas Belchior, integrante da Frente Alternativa Preta, diz que esse modo de operar da polícia não é novidade. A população negra e periférica sabe que é tratada de maneira diferente pelo Estado.

O que chama atenção é a maior legitimidade dada por Ricardo Augusto Araújo aos policiais para continuarem a ter essa conduta nas periferias.

“O policial que ouve palavras como essa se sente muito mais a vontade para praticar os crimes que a polícia faz todos os dias. Ele fica mais cheio de si para abordar com violência, para torturar, prender, e matar aqueles que estão nos territórios onde essa violência foi mais uma vez autorizada, com base nas palavras que foram ditas”, conta Douglas Belchior.

Para ele, é importante que o movimento negro, apesar das suas diferenças, enquanto representante dos interesses da comunidade negra e periférica, se posicione e repudie a manifestação de Ricardo Augusto Araújo.

“A gente não pode permitir isso. O que a gente viu foi o transbordar de um fascismo que a gente sempre sentiu na nossa vida, mas que agora é exposto e radicalmente declarado”, conta Douglas.

Documento

Na tarde do dia 25 de Agosto, sexta-feira, diversas organizações do movimento negro protocolaram documento no Ministério Público e em outras instâncias pedindo a saída do novo comandante da ROTA, Ricardo Augusto Araújo. Confira aqui.

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