Texto: Pedro Borges / Edição de Imagem: Pedro Borges

A data recorda a morte de Zumbi, um dos líderes do Quilombo dos Palmares

No dia 20 de Novembro, a partir das 11h, os manifestantes começam a se concentrar em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP) para a XIII Marcha da Consciência Negra. O ato é convocado pela Convergência Negra, articulação criada em Salvador no ano passado para defender as reivindicações da comunidade negra.

A manifestação, que chega a sua 13° edição na cidade de São Paulo, sai da Avenida Paulista, percorre a Rua Consolação e segue em direção à Praça Ramos, centro.

As reuniões para a organização da marcha acontecem desde o mês de junho, quando se iniciaram os diálogos sobre o formato e as pautas do ato. O avanço do conservadorismo e o alimento ao genocídio são questões fundamentais para o protesto deste ano, de acordo com Dennis de Oliveira, professor da Universidade de São Paulo (USP) e um dos organizadores da Marcha. “A intensificação do genocídio da juventude negra, que teve mais um capítulo trágico com o assassinato dos cinco jovens da zona leste de São Paulo cujos corpos foram encontrados agora no início de novembro, merece atenção especial. É preocupante que o principal gestor da política de extermínio em São Paulo, Alexandre Moraes, esteja ocupando atualmente o ministério da Justiça”.

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O genocídio de negras e negros é uma pauta histórica do movimento negro no Brasil e em toda diáspora africana. Para Dennis, o genocídio deve se transformar em agenda comum do movimento social no país. “É a principal agenda do movimento negro e até do movimento social, pois não se constrói um estado democrático enquanto existir uma força armada que assassina impunemente jovens negras e negros nas periferias. Acredito que quanto mais o movimento negro centrar fogo nesta bandeira, mais ela ganhará visibilidade e conterá os avanços deste setor. Para mim, a melhor estratégia é tornar a luta contra o genocídio da juventude negra como central da luta antirracista, pois por conta disto, a democracia nunca chegou na periferia”.

Avanço do conservadorismo

O impeachment da presidenta Dilma Rousseff, as propostas do governo Michel Temer e o avanço do conservadorismo são questões delicadas para negras e negros, segundo Dennis de Oliveira. Ele pensa que pautas como a PEC 241/55, que prevê o congelamento dos gastos públicos nos próximos 20 anos, devem ser rechaçadas. “A PEC 241/55, também conhecida como PEC do fim do mundo, certamente impactará negativamente as áreas de educação, saúde, as ações afirmativas, os programas de transferência de renda, entre outros. Todos os estudos mostram que mais de 70% dos beneficiários destes programas são mulheres negras e seus familiares”.

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A conjuntura política mundial conservadora, a exemplo da eleição de Donald Trump nos EUA, e o apoio dado pelo capital financeiro a golpes de Estado na América Latina, como aconteceu no Brasil, exigem a participação política de negras e negros. “A população negra, historicamente na base da pirâmide social e, por isto, principal alvo destas medidas de intensificação da opressão, tem papel fundamental na resistência e na construção de uma saída alternativa a isto. Por isto, é importante a presença maciça de negras e negros nas ruas neste dia 20”, explica Dennis de Oliveira.

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