Evento acontece de 25 de agosto a 03 de setembro com mais de 90 atrações em 17 territórios da cidade de São Paulo e fortalece as relações coletivas para o bem viver nos espaços.

Texto e imagem / Divulgação

De 25 de agosto a 03 de setembro, a 7ª edição do Encontro Estéticas das Periferias exaltará a produção das periferias com mais de 100 atividades espalhadas por 17 territórios da cidade. As atrações são pensadas de forma conjunta por meio de uma curadoria coletiva, formada por mais de 30 coletivos de todas as zonas de São Paulo – norte, sul, leste e oeste – que se reúnem de maneira voluntária para organizar a programação. Para Eleilson Leite, coordenador geral do Estéticas, somente desta forma é possível conceber um evento que dialogue de fato com as produções locais.

“Entendemos o bem viver como a conexão entre os indivíduos e todas as suas relações em sociedade. A curadoria coletiva é uma forma de estar em contato e colocar em debate as ações que vêm sendo desenvolvidas nas quebradas pelo bem comum. Pautamos isso pela cultura e pela arte. Dessa maneira, abarcamos diferentes maneiras de entender o mundo e refletimos sobre o nosso papel nele”, reforça.

Programação

A abertura do Estéticas das Periferias acontece no dia 25 de agosto, e apresenta o debate "Ocupações e política cultural: conflito e negociação" e o espetáculo SLAM! - Eu, tu, nós, VOZ! no Auditório Ibirapuera. Ambas as atividades têm entrada gratuita.

Com roteiro e direção de Roberta Estrela D’Alva, atriz-MC, SLAM! - Eu, tu, nós, VOZ! traz aos palcos o universo dos poetry slams, batalhas de poesia que surgiram nos anos 80 nos Estados Unidos, e estão presentes no Brasil desde 2008, ganhando, cada vez mais, destaque entre o público jovem e periférico.

Com o total de 21 poetas, o espetáculo-performance foi criado especialmente para a Abertura do Estéticas e evoca a simplicidade de um slam e suas regras básicas: poemas próprios, de no máximo três minutos, sem acompanhamento musical, figurinos ou adereços. SLAM! - Eu, tu, nós, VOZ! começa às 20h. Os ingressos serão distribuídos a partir das 18h30.

Antes do espetáculo, às 17h, acontece uma roda de conversa, no foyer, sobre como as ocupações culturais podem aumentar a oferta e o acesso à cultura na cidade e como pautam o poder público em suas ações. Com a mediação de Américo Córdula, participarão do debate: Alice Bayili (ONG África do Coração), Alex Assunção e Wanessa Sabbath (Casa Amarela), Bruno Ramos (Liga do Funk), Emerson Alcalde (Slam da Guilhermina), Maria do Rosário Ramalho (Ex-Secretária de Cultura da cidade de São Paulo) e Renata Prado (Festa Batekoo).

Feiras de economia solidária, shows, peças de teatro, oficinas, saraus, graffiti entre outras formas de arte movimentarão as periferias de São Paulo, gratuita e simultaneamente, por 10 dias. A zona norte, por exemplo, vai incentivar a produção artesanal local com duas feiras empreendedoras: na Cachoeirinha, pelo II Ocupa ZN, dia 02, às 10h; e, na Brasilândia, dia 03, às 14h. A festa Blackyard, na Vila Guilherme, dia 02, às 19h, reúne artistas e ativistas, embalados em ritmos da cultura negra, para estabelecer laços entre projetos e comunidades diferentes em um espaço de coworking.

Em Ermelino, zona leste, a produção audiovisual coletiva das mulheres é celebrada no Cine Hip Hop Mulher, dia 01, às 19h. Dia 02, às 15h, as Amigas do Samba realizam um Sarau para incluir idosos no circuito cultural em uma casa de acolhimento nos Campos Elíseos. Na Brasilândia, zona norte, o Coletivo Água Preta monta o sound system dia 26, às 14h; e, na Cachoeirinha, o som é comandado pelo Quilombo Hi-Fi, dia 02. Já na Sul, dia 27, às 13h, o Sound System Graffiti percorre becos e vielas levando cor e música para a região da Pedreira.

Todas as atrações são resultado da força da ação coletiva para transformar os territórios e apresentar perspectivas diversas de futuro pautadas pelo bem-estar das pessoas nas quebradas.

A programação completa pode ser encontrada no site do evento e em seus canais nas redes sociais.

O bem viver e a ocupação de 17 territórios nas cidade

Toda a programação manifesta coletividade como ferramenta de transformação dos territórios em polos não só de cultura e arte, mas também como forma de repensar as relações das pessoas, das comunidades e dos locais em busca do bem viver. O bem viver engloba formas diversas de compreender o mundo e pressupõe o diálogo e o encontro entre diferentes saberes e afetos para a construção de comunidades ampliadas.

Entendendo que as periferias apresentam formas de resistência e alternativas coletivas, os territórios apostam em circuitos econômicos comunitários, desafiando a lógica das grandes cidades. Além disso, fomentam a criação e a atuação por meio de redes, trazendo a discussão de direito à cidade e de cidades colaborativas a partir de suas experiências teóricas e práticas, que se vivenciam no cotidiano e nos apontam outras formas de relacionar-se e de fazer política.

Apoiar diferentes maneiras de ver o mundo e buscar o fortalecimento das relações comunitárias são ações que reforçam um dos elementos que está na essência do Estéticas: o pensar e o fazer em conjunto para mobilizar pessoas e projetar o que já está sendo produzido nas quebradas.

Encontro Estéticas da Periferia

Idealizado pela Ação Educativa, o Estéticas das Periferias chega à sua sétima edição, em 2017, na cidade de São Paulo. O evento mobiliza inúmeros espaços culturais em todas as áreas dos fundões da capital paulistana por uma semana. O fazer artístico permeia toda a programação que é construída colaborativamente por mais de 30 coletivos culturais. Os números somam, desde a primeira edição, cerca de 450 apresentações artísticas, 145 debates, mais de 150 espaços culturais e um público estimado em mais de 83 mil pessoas.

Em 2017, o Estéticas das Periferias será patrocinado pela primeira vez: a Oi e a Jontex são as patrocinadoras oficiais do evento por meio do ProAC-ICMS, além de contar com apoio de diversos parceiros, entre eles a Via Varejo, que apoiou o Estéticas em outras edições.

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