Jair Cortecertu é um dos grandes jornalistas que acompanham o Hip Hop. Em meio aos tensionamentos raciais nos EUA e no Brasil, o Hip Hop tem sido sofrido processos de apropriação. Confira a tradução de Jair para o e texto de Dr. Adia Winfrey.

Texto / Adia Winfrey
Tradução / Jair Cortecertu
Imagem / Creative Commons

Privilégio branco engloba os benefícios pessoais de viver em uma sociedade onde a branquitude é centrada. A branquitude é uma construção social projetada para justificar a discriminação contra as pessoas não-brancas. Supremacia branca são os resultados políticos desta reserva racial. A branquitude é a arma da ideologia da supremacia branca. Antes de 11 de agosto de 2017, a "supremacia branca" não fazia parte do vocabulário da população.

No entanto, o termo ganhou relevância renovada quando membros nazistas e integrantes da KKK aterrorizaram, atacaram e assassinaram cidadãos durante dois dias em Charlottesville, Virgínia.

O nascimento do hip hop veio exatamente 44 anos antes dos ataques de Charlottesville, em 11 de agosto de 1973. As origens do hip hop estão enraizadas na juventude negra e porto-riquenha do South Bronx, grupo social que se recusou a ser silenciado por políticas e leis de supremacia branca.

No início da década de 1980, a cultura hip hop foi inspirando os menos favorecidos em todo o mundo. Ao longo dos anos, estilos dentro da cultura vêm e vão, mas manteve-se um fator: a cultura de hip hop é a voz dos oprimidos.

O hip hop nasceu da energia gerada por jovens ativistas na década de 1960. Reconhecido pelas Nações Unidas como uma cultura internacional da paz, a cultura hip hop é um fenômeno global, unindo os indivíduos em todos os continentes. É uma ferramenta que eleva a saúde mental, a educação e os negócios.

As raízes ativistas do hip hop, sua engenhosidade e alcance podem fornecer o ponto necessário nesta nova era da revolução. Abaixo, listamos 7 formas para a cultura hip hop eclipsar a supremacia branca.

Economia cooperativa

Membros da cultura Hip Hop estão produzindo qualquer produto e serviço que se pode imaginar, desde a roupa que vestimos ao detergente que usamos para lavá-las.
Killer Mike, rapper e ativista, até inspirou um movimento dentro da cultura de criar propriedades negras e bancos comunitários. Desde o seu início, o espírito empreendedor e o lema "fazer algo do nada" alimentaram a cultura hip hop. A economia cooperativa torna-se uma estratégia viável para superar a supremacia branca.

Autoconhecimento

Desde os primeiros dias, membros da cultura hip hop tem pregado a importância do autoconhecimento através de canções, entrevistas e outros meios de comunicação. Durante a era da mídia social, membros da cultura de rua buscaram conhecimento por meio do compartilhamento de informação em várias plataformas.

Vida autossustentável

Em 2016, rapper e produtor musical David Banner intensificou ainda mais esta tendência com o nacional #TheGodBox, série de palestras que levou a multidão enlouquecida para discutir a capacitação por meio da leitura e do estudo dos grandes pensadores do nosso passado e presente.

Em 2016, a cultura hip hop virou uma página na sua evolução com a introdução do décimo elemento: saúde e bem-estar. O décimo elemento é centrado na vida por meio da promoção de dietas e alimentos naturais, justiça e vida autossustentável, ferramentas que podem fortalecer a cultura.

Supremacia branca é também sobre poder, não apenas raça, e eclipsar essa supremacia requer atenção por todos os lados. Lembre-se: "aquele que controla o fornecimento de comida...controla as pessoas".

Empoderamento da juventude

Desde o nascimento do hip hop, os jovens têm eclipsado a supremacia branca ao encontrar suas vozes através da cultura. Hoje, gerações anteriores e os atuais millenials que crescem dentro da cultura estão criando programas de saúde mental, comunidade e educação baseada no hip hop, preparando nossos futuros líderes. Nossa juventude é o nosso maior recurso. Podemos elevá-los a novos níveis, integrando estrategicamente elementos da cultura hip hop em todas as áreas de trabalho de capacitação com eles.

Treinamento tático

Uma das maiores críticas da cultura hip hop é a suposta "promoção da violência". Ao ouvir as canções de rap, podemos aprender nomes de uma grande variedade de armas de fogo. No entanto, conhecer o nome de armas e possuir as habilidades para disparar um são dois assuntos separados. Dentro da cultura hip hop, há especialistas que oferecem treinamento em habilidades táticas, incluindo armas de fogo e técnicas de sobrevivência , e é tempo de nos familiarizarmos. A supremacia branca visa aterrorizar, assim, aprender táticas de defesa oferece um ponto único de capacitação.

Organizar um bloco político

Durante anos, os indivíduos têm a idéia de formar um partido político de hip hop. A diferença agora é que temos os números do nosso lado. Quando a estrutura demográfica e política da nação muda, temos uma oportunidade única de ressignificar e impor nosso papel na política. Embora a política não seja algo fácil de se lidar, a organização das bases é uma força inerente da cultura hip hop que, se utilizada estrategicamente, pode mudar tudo. Muitos dos valores que a cultura hip hop representa são os próprios ideais que podem eclipsar a supremacia branca.

Deixe o amor prevalecer
A história atual está desafiando cada um de nós a escolher um lado: amor e unidade ou medo e ódio. Quanto à cultura, o nascimento do hip hop é um testemunho do poder do amor e da unidade. Nosso lado, escolhido por direito de nascimento, está nos chamando dentro do hip hop. Este é um chamado para usar nosso amor pela cultura e nossa resiliência para eclipsar a supremacia branca. O futuro depende de nós.

Texto original publicado no site National Monitor.

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